Moreira mostra sua força política
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de dezembro de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Participação intensa nas eleições e peso para indicar nomes que irão compor a próxima administração de Nedson Micheleti (PT). Aos 81 anos, o ex-prefeito Wilson Moreira (PSDB) voltou ao cenário político de Londrina mostrando força. Após passar os últimos anos afastado das eleições, ele ganhou a simpatia do eleitorado e ocupou o lugar de vice na chapa formada pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB). Com a derrota de seu partido no primeiro turno, o ex-prefeito tomou a decisão pessoal de apoiar Nedson à reeleição, posição contrária à vontade de Hauly, que optou pela neutralidade. A participação ativa de Moreria no horário gratuito de propaganda eleitoral deu força à campanha de Nedson e o próprio prefeito reconheceu que o apoio do tucano foi essencial para a sua vitória sobre o candidato do PSL, Antônio Belinati.
O apoio deu a oportunidade de Moreira sugerir nomes no governo Nedson. Na semana passada, uma de suas indicações foi aceita e o engenheiro Claudio Tedeschi foi escolhido para a presidência da Codel. ''O prefeito não especificou qual o órgão que gostaria de contar com a nossa colaboração, e chegou a insistir para que indicássemos até uma eventual secretaria. Na impossibilidade de aceitarmos o convite para secretário e dado a disponibilidade dele, tomamos a liberdade de sugerir alguns nomes sem impor órgãos'', declarou Moreira. Segundo ele, o próprio Tedeschi conversou com Nedson e eles definiram a Codel como órgão a ter a colaboração do engenheiro.
A decisão de ajudar o PT nas eleições não foi fácil para Moreira. ''Foi difícil porque eu não morro de amores pelo PT. Já fui prejudicado pelo PT e perdi duas propriedades agrícolas invadidas pelo MST. Já estou mais que calejado'', justificou Moreira. Entretanto, ele ponderou que o quadro do segundo turno no pleito o motivou a apoiar o candidato petista. ''Poderia voltar uma administração que já vinha dando exemplo de incorreta e eu preferi apoiar o Nedson'', completou.
Atualmente, Moreira dedica seu tempo ao trabalho com agropecuária e afirma não querer interferir na futura administração petista. ''Não pretendo interferir na administração. Não posso porque para isso você tem que se dedicar e eu não sei fazer as coisas pela metade, então é melhor deixar o prefeito definir'', argumentou. Ele elogiou o perfil de Nedson, destacando ser um prefeito inteligente e, até agora, honesto. Entretanto, Moreira fez uma ressalva: ''Ele tem que se envolver menos com o aspecto partidário e mais com o aspecto administrativo. A cidade tem participação de todos os partidos e tem que administrar em favor do povo''.
Moreira governou a cidade entre 1983 e 1988. Para ele, falta capacidade administrativa aos governantes. Ele observou que não dá para reclamar de falta de recursos. ''Eu fico admirado quando um município como Londrina diz não ter recursos. A capacidade contributiva do município é muito grande e a cidade tem capacidade política para obter recursos do Estado e da União'', salientou. Na avalição dele, há muitos órgão no município. ''Os prefeitos encheram a prefeitura de órgãos e não precisa disso. Eles dividiram em setores e isso é um ônus para o município porque tem que pagar secretário e cargos de confiança'', relatou.
Apesar das deficiências atuais, o ex-prefeito disse acreditar que Londrina pode melhorar. ''Eu tenho esperança de que seja melhor e é a única coisa que eu poderia cobrar do Nedson seria isso'', comentou. Para isso acontecer, Moreira comentou que seria preciso ''vestir a camisa da cidade''. ''Ninguém é obrigado a se candidatar. Mas no momento que se candidata deve ter na mente que precisa concluir a sua obrigação da melhor maneira possível'', frisou.
Para ele, a força de seu nome durante as eleições foi um presente pelo trabalho feito. ''O melhor brinde que eu trouxe da prefeitura foi o agradecimento da população à gestão que eu fiz. Eu diria que foi o único brinde que ninguém me rouba nem tira'', garantiu.


