Curitiba Empresas que prestam serviços de manutenção basicamente limpeza e vigilância para o governo do Estado vão receber atrasado. Esse é um dos reflexos, na prática, da suspensão de pagamentos, moratória por 90 dias decretada pelo governador Roberto Requião (PMDB) no dia 6 de janeiro. De acordo com a Secretaria de Estado da Administração, as prestadoras de serviços continuam executando os serviços normalmente, apesar de saberem que receberão somente ao final da moratória, no início de abril.
Além desses pagamentos, a moratória tem impacto em todas as secretarias, que engessa a rotina. Boa parte dos produtos e serviços não está sendo comprada nem paga porque a relação custo-benefício de todos os contratos está sendo revista. Alguns contratos serão mantidos e outros podem ser cancelados. As terceirizações também estão na mira do governo, que pode cancelar vários contratos. A moratória não incluiu diversos itens do custeio da máquina.
Apesar das restrições, o governo está atendendo às necessidades operacionais das pastas. Requião tem concedido autorizações específicas para cada caso, depois de analisar o montante e o objetivo dos gastos. Cada secretário prepara requisições de despesas e as apresenta ao governador.
No caso da Secretaria da Administração, por exemplo, Requião autorizou a realização de duas auditorias de emergência: uma no Hospital Militar e outra no Sistema de Assistência à Sa© úde (SAS) dos servidores. Ele tem liberado várias despesas de custeio nos últimos dias, contemplando áreas como Agricultura e Ciência e Tecnologia. A Folha apurou que, na semana passada, havia dificuldade para alimentar o gado nas fazendas experimentais da Secretaria da Agricultura.
A compra de combustível para as secretarias também está sendo autorizada por Requião. Compras menores, como cartuchos para impressoras por exemplo, precisam esperar mais um pouco.
Fonte da Folha disse que faltariam medicamentos nos postos de saúde. A reportagem tentou contato com o secretário da Saúde, Cláudio Xavier, mas sua assessoria de imprensa informou que ele estava viajando. Ainda segundo a assessoria, a compra de medicamentos está sendo regularizada.
Requião decretou a moratória para fazer uma conferência das despesas relacionadas pela gestão de seu adversário político, Jaime Lerner (PFL). Quando assumiu o Palácio Iguaçu pela primeira vez, em 1991, Requião tomou a mesma decisão de suspender os pagamentos, mesmo sucedendo o então aliado Alvaro Dias, hoje senador licenciado do PDT.
Segundo o governo, esse é um procedimento normal, para que se tenha um levantamento minucioso dos gastos feitos pela gestão anterior. Alguns pagamentos continuam a ser feitos normalmente. É o caso da dívida do Estado com a União, com o Banco Mundial (Bird) e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O que estão suspensos são os pagamentos de contratos, como para realização de obras e convênios com municípios.

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