O Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina reagiu com indignação às críticas feitas pelo deputado federal José Janene, presidente estadual do PPB, aos promotores que investigam o esquema de corrupção da Prefeitura de Londrina. Após ter a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico e pedida a indisponibilidade de bens requisitadas pelo Ministério Público (MP), na última sexta-feira, Janene acusou os promotores de promoverem uma ‘‘perseguição odiosa’’ e de fundamentar as ações em documentos forjados.
O assunto foi discutido pelo movimento durante a reunião na sede da OAB, no final da tarde de ontem. Os integrantes decidiram fazer uma visita aos promotores do caso AMA-Comurb para prestar solidariedade. Além disso, eles vão pedir documentos que embasaram a medida cautelar. O encontro será hoje, às 11 horas, no Fórum.
‘‘As declarações (de Janene) são descabidas porque o MP, constitucionalmente, tem uma função institucional e está cumprindo essa função. Ou seja, houve desvio de milhões dos cofres da prefeitura e os promotores instauraram as investigações, que vêm ocorrendo de forma continuada. E a medida que as investigações avançam, as ações são propostas’’, disse ontem o advogado Carlos Roberto Scalassara, coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH) e membro do movimento.
Scalassara observou que, ao invés de partir para o ataque, o deputado também deveria manifestar apoio ao MP e contestar, pontualmente, as denúncias feitas contra ele. ‘‘Esses ataques apenas desviam a discussão daquilo que tem que ser discutido, que é o mérito da medida. Porque se tem uma instituição que tem cumprido seu papel, essa instituição é o MP’’, disse.
O advogado também não acredita em ‘‘perseguição odiosa’’, como Janene classificou a atuação dos promotores. ‘‘Muito pelo contrário, o que temos percebido é um trabalho imparcial, com zelo e com todas as cautelas necessárias. Na verdade, até por isso o trabalho do MP tem que ter o apoio até do deputado. Se ele se diz injustiçado, tem que atacar os aspectos específicos da investigação e explicar por que são injustos. A população, hoje, não quer saber a opinião do deputado sobre os promotores, mas saber se é verdade o que consta da ação’’, completou Scalassara.
O presidente da OAB em Londrina, Lauro Zanetti, concorda que as críticas de Janene são descabidas. Ele observou, no entanto, que somente após uma análise criteriosa dos documentos obtidos no Ministério Público será possível decidir se o movimento vai tomar alguma medida mais contundente contra o deputado. ‘‘Inicialmente os fatos divulgados pela imprensa parecem ser muito graves. Mas precisamos conhecer detalhes’’, ponderou.

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