O Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina vai cobrar do prefeito eleito, Nedson Micheleti (PT), uma auditoria completa nas contas do município. O assunto foi discutido no início da noite de ontem, durante a primeira reunião do movimento após as eleições municipais. As lideranças esperam que a devassa nas contas mostre onde foram parar os R$ 186 milhões referentes à venda de 45% das ações ordinárias da Sercomtel para a Copel. O encontro reuniu representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Igreja Católica, Conselho de Pastores, Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) e Associação Comercial e Industrial de Londrina.
Segundo o presidente da subseção da OAB, Lauro Zanetti, cópias de cheques, recibos ou notas fiscais podem mostrar onde foram parar os recursos obtidos pelo município com a privatização da Sercomtel, realizada em maio de 98. ‘‘O Ministério Público está lutando, mas até agora conseguiu chegar a R$ 16 milhões. Queremos saber o que a prefeitura fez com esse dinheiro’’, afirmou Zanetti. Segundo ele, a sonegação de informações pela prefeitura tem dificultado o trabalho dos promotores que investigam os desvios ocorridos durante a administração do prefeito cassado e afastado Antonio Belinati (PFL).
Na avaliação de Zanetti, em Maringá o trabalho dos auditores já conseguiu mostrar para onde foi parte dos recursos desviados dos cofres municipais, rombo que pode chegar a R$ 100 milhões, como a Folha mostrou em sua edição de domingo. Zanetti disse ainda que o Movimento pela Moralidade vai pedir que o prefeito eleito se comprometa a dar transparência a seus atos e que haja publicidade e divulgação em todos os contratos firmados durante a administração de Micheleti. ‘‘Não nos interessa a cor partidária. Vamos exigir transparência na administração pública’’, resumiu.
Nedson Micheleti garantiu ontem que haverá transparência em todos os seus atos administrativos e que irá criar uma auditoria permanente, com liberdade para agir em todos os casos onde os auditores julgarem necessários. Micheleti disse ainda que sua administração vai trabalhar no sentido de tentar localizar as verbas desviadas da prefeitura. ‘‘O interesse nosso é recuperar todos os recursos que foram desviados’’, garantiu. Segundo ele, a prefeitura irá encaminhar todos os documentos solicitados pelo Ministério Público.
O Movimento pela Moralização na Administração Pública teve papel decisivo no processo político que resultou na cassação do mandato de Belinati, em junho deste ano. Em fevereiro, a OAB entregou à Câmara a primeira denúncia contra o então prefeito, com pedido de cassação de seus direitos políticos por infrações político-administrativas. O documento foi assinado por mais de 120 representantes de entidades ligadas ao movimento.

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