Representantes de pelo menos sete bairros de Londrina, que formaram um movimento chamado ''Ouve Londrina'', vão participar hoje e amanhã da audiência pública convocada para discutir o projeto de Uso e Ocupação do Solo e o Plano Viário, cuja aprovação é atrelada ao primeiro. Devem estar presentes moradores do Jardim Canadá, Presidente, Mediterrâneo, Vale dos Tucanos, São Izidro e Shangri-lá.
Segundo uma das integrantes do movimento, a nutricionista Gabriela Fontoura, que é presidente da Associação de Moradores do Jardim Shangri-lá A (Zona Oeste), esses bairros perderão qualidade de vida caso o projeto de zoneamento seja aprovado. E pior: não houve transparência na discussão das propostas. ''Não fomos convocados para a conferência de 2010. Quando comecei a estudar o assunto, descobri que haveria mudanças significativas, mas que não são explicadas de forma clara, até porque trata-se de um assunto bastante técnico.''
Gabriela começou a estudar a matéria a pedido dos moradores para esclarecer moradores do bairro, cuja predominância é de casas residenciais e comércios e serviços de baixo impacto. Com as mudanças, disse ela, será permitida a construção de edifícios e comércios de maior impacto. Isto porque, além de alterar o zoneamento de vários bairros residenciais, o projeto também cria três novas modalidades de zonas residenciais - hoje são seis e passarão a nove - e todas com maior impacto do que no zoneamento atual. ''A proposta privilegia a verticalização e a abertura de comércios em todas as regiões da cidade.''
Para ela, o projeto não é sustentável. ''Trata-se de um projeto importante, que impactará a vida de toda a cidade. Mas, vejo que o plano não foi feito para ser sustentável, para melhorar a qualidade de vida das pessoas, mas para atender interesses empresariais'', analisou Gabriela.
Nelson Brandão, que também é presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), defendeu a necessidade de aprovação rápida do projeto para garantir a vinda de novas empresas para a cidade. ''É um projeto importante para o desenvolvimento e foi amplamente discutido com a comunidade.'' (L.C.)

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