Moradores reclamam de ''perseguições políticas''
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sexta-feira, 27 de outubro de 2000
Sid Sauer De Campo Mourão 
Moradores de três municípios da região de Campo Mourão Engenheiro Beltrão, Janiópolis e Quarto Centenário reclamam de perseguições políticas que surgiram após as eleições. Em Engenheiro Beltrão, pais de alunos que moram na zona rural se queixam que a prefeitura cortou o transporte escolar há uma semana e há receio de que os estudantes percam o ano devido às faltas.
O corte dos ônibus poucos dias após a derrota do prefeito José Dal Pont (PFL) fez com que os moradores da zona rural passassem a desconfiar de uma represália. A secretária de Educação Rosália Cândido Machado nega e diz que houve apenas um atraso na entrega do combustível. Além disso, um outro ônibus quebrou. Segundo ela, o transporte seria normalizado logo.
Em Janiópolis, a reclamação contra o prefeito Júlio Batista Guimarães (PFL), que também não se reelegeu, parte de servidores. Eles se queixam que pelo menos metade do funcionalismo está com salários atrasados desde agosto.
Guimarães admite o atraso, mas nega perseguição. Segundo ele, a prefeitura está regularizando a folha por setores conforme os recursos vão sendo disponibilizados. Batista alega que alguns dos servidores com salários atrasados foram eleitores seus. O prefeito disse que a folha de pagamento será normalizada até o dia 30.
Em Quarto Centenário (80 km a oeste de Campo Mourão), a reclamação é contra o prefeito reeleito José Paschoal do Prado (PSDB). Ele é acusado de remanejar servidores que trabalharam para o candidato da oposição, Osvaldo Ishigawa (PMDB). Servidores estariam sendo transferidos da cidade para o distrito de Bandeirantes do Oeste e vice-versa, gerando uma série de transtornos. Também já teriam ocorrido demissões.
A zeladora Francisca Ribeiro, 37 anos, que trabalhava no posto de saúde do distrito, foi transferida para uma escola da cidade. Ficou horrível. Não tenho com quem deixar as crianças. Francisca mora com três filhos.
Estudantes do ensino superior reclamam que a prefeitura cortou a ajuda de 50% para transporte a Campo Mourão e Umuarama. Luiz Alberto Rodrigues diz que isso ocorreu porque a maioria dos alunos era contra a reeleição.
O vice-prefeito de Quarto Centenário, Geremias Ferreira da Costa (PPS), que também é secretário da Administração, disse que não houve demissões. Mas poderão ser demitidos alguns ocupantes de cargos de confiança que trabalharam para a oposição, admitiu. Os remanejamentos, segundo ele, são por necessidade administrativa. Costa afirmou que, por enquanto, a única coisa que a prefeitura cortou foram horas extras, por economia.


