Moradores ignoram mudanças
Londrina - Moradores de três ruas residencias de Londrina, cujo zoneamento é zona residencial três (ZR3) e passará para zona comercial seis (ZC6), não sabiam das mudanças aprovadas pela Câmara. Nos três casos, eles não foram consultados. Ao avaliar a mudança, se mostram divididos. Nas ZC6, conforme a nova Lei de Zoneamento, são permitidos empreendimentos de alto impacto, como comércio de produtos perigosos, além de supermercados e shoppings. Quantos aos serviços, é permitida a instalação, por exemplo, de boates e casas noturnas.
Uma das vias que passa a ser ZC6 é Rua Netuno, no Jardim do Sol (zona oeste), onde estão localizadas duas instituições que atendem pessoas com deficiência: o Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos e a APS Down, cuja entrada se dá pela Rua Plutão. Ao analisar a proposta de Rony Alves (PTB), a comissão técnica alegou não ter informações suficientes para dar um parecer conclusivo sobre a emenda.
"Permitir o comércio neste rua certamente vai aumentar o movimento e, consequentemente, os riscos para quem transita por aqui", disse Alef Campos Garcia, 21 anos, que tem deficiência visual e mora na Rua Netuno. Diariamente, ele percorre a rua apenas com a ajuda da bengala. "Vai ficar mais difícil".
A avó dele, Cleuza Eli Arruda Campos, 54 anos, concorda, embora deseje uma farmácia e um supermercado mais perto de sua casa. "Falta esse tipo de comércio, mas, a rua, sendo residencial, permite mais segurança e tranquilidade para as pessoas que frequentam o Instituto de Cegos e a APS Down".
Para justificar a emenda, o autor disse que a permissão é para "comércio de baixo impacto, como padaria, lanchonete, oficina mecânica e bazar", não mencionando o comércio de produtos perigos e atividades geradoras de tráfego e ruído.
Na Rua da Lua, também no Jardim do Sol, os moradores também ignoravam a alteração de zoneamento proposta por emenda do vereador Mário Takahashi (PV). O autor disse que atendeu pedido do "próprio pessoal da rua" e que parte dela já é comercial. Pelo zoneamento em vigor, a Rua da Lua já tem dois quarteirões (próximos à Leste-Oeste) afetados como ZC6.
O cozinheiro André Marcelo José dos Santos, 35 anos, desconhecia completamente a mudança. Para ele, o principal problema da mudança é o excesso de ruído. Já a vizinha de Santos, Késia Murback, 37 anos, aprovou a mudança, mesmo sem ter sido consultada. Ela já tem um comércio em sua residência: um central de motofrete. "Para mim é bom. A rua já é movimentada e acho que valoriza os imóveis.
Na Rua Gumercindo de Souza, no Jardim Shangri-lá B (zona oeste), cujo zoneamento foi alterado por emenda de Roberto Fú (PDT), o aposentado Elimar Gruber, 73 anos, não se importou com a mudança. Disse que a via perto das avenidas Brasília (BR-369) e Rio Branco já é movimentada e barulhenta. "Quem sabe a mudança e a vinda de empreendimentos comerciais não melhorem o asfalto", comentou.
Já a cabeleireira Sandra Vasconcelos, 51 anos, defende a preservação do bairro. "São casas de madeira, que têm importância para a história da cidade. Acho que isso deveria ser considerado antes de mudar o zoneamento".
Fú afirmou que atendeu pedido de uma grande empresa de plásticos instalada na Rio Branco cuja parte dos fundos tem testada para a Gumercindo de Souza. "Existe EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança) favorável", garantiu o vereador, defendendo também que a rua já tem características comerciais e está entre duas vias de muito movimento. (L.C.)





