Terreno tem 18,3 mil metros quadrados: moradores do Santiago temem que outras atividades esportivas e de lazer fiquem prejudicadas com destinação da área ao rúgbi
Terreno tem 18,3 mil metros quadrados: moradores do Santiago temem que outras atividades esportivas e de lazer fiquem prejudicadas com destinação da área ao rúgbi | Foto: Marcos Zanutto

A Prefeitura de Londrina entrou em um campo minado ao colocar em pauta o projeto de lei 54/2019 que prevê a concessão de espaço público do complexo esportivo do Jardim Santiago (zona oeste) à Liga Pé Vermelho de Rugby. Após pressão dos moradores, o Executivo decidiu suspender a tramitação da matéria que estava na pauta da Comissão de Política Urbana e Meio Ambiente desta segunda-feira (24).

Os moradores pedem a convocação de uma audiência pública para ouvir a comunidade. A queda de braço pelo espaço de 18,3 mil m² ocorre após a FEL (Fundação de Esportes de Londrina) defender a instalação da Associação de Rugby e a prática exclusiva do esporte no local onde hoje funciona um campo de futebol. "Vai descobrir um santo para cobrir o outro", disse o presidente da Associação dos Moradores do Jardim Santiago, Sergio Antonio Rodrigues, após a reunião na Câmara.

Segundo Rodrigues, a comunidade não quer abrir mão do espaço para ceder a área para os atletas da modalidade de Rugby. "A Prefeitura de Londrina tem a possibilidade de arrumar um espaço para eles em outro lugar." Além do campo de futebol, os moradores da zona oeste alegam que realizam diversas atividades físicas que ficariam prejudicadas com a nova destinação.

Na justificativa, a Associação Londrina Rugby Clube informa que pretende construir um campo exclusivo cercado de alambrado com vestiários para cumprir as exigências para competições oficiais da Confederação Brasileira de Rugby, que tem na cidade equipe de alto rendimento. A modalidade vem ganhando adeptos nos últimos anos.

O líder do prefeito na Câmara, Jairo Tamura (PL), defende ainda que o projeto poderá ajudar na formação de atletas de base e servir de caráter social para 150 crianças e adolescentes com compromisso de atender a comunidade local.

Segundo ele, a prefeitura mantém o diálogo e não se opõe à convocação da audiência pública. "O setor de patrimônio foi quem indicou esse terreno por conta das dimensões exigidas para a modalidade. Até existe um outro campo nas proximidades de lá, uns 200 metros, que poderia atender as crianças que estavam jogando futebol lá." Mesmo assim, segundo ele, a Associação de Rugby abriu a possibilidade de fazer projeto de futebol nesta área que pretende ser cedida.

OBSERVATÓRIO

O Observatório de Gestão Pública de Londrina emitiu parecer indicando uma audiência pública. Outra entidade, a Liga de Futebol de Londrina, se diz contra a cessão da área que seria utilizada há 20 anos para atividades de futebol de campo.

O projeto de lei volta à pauta da Comissão de Política Urbana - no dia 5 de julho -, que poderá convocar a audiência. Não há data para prevista para que o assunto chegue ao plenário.

mockup