Moradores cobram transparência nas discussões do Plano Diretor
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terça-feira, 26 de março de 2013
Loriane Comeli <br>Reportagem Local 
Integrantes do Movimento Ouve Londrina, criado no ano passado para acompanhar a votação dos projetos de Uso e Ocupação do Solo e Sistema Viário, os dois últimos do novo Plano Diretor da cidade, discordam da decisão do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul) de encaminhar os projetos diretamente para a Câmara sem antes resolver problemas apontados no final do ano passado.
Eles entregaram ontem um documento aos vereadores no qual reivindicam ''a realização de novas oficinas e conferências em horários que permitam a participação dos munícipes'' e ''uso de linguagem acessível aos cidadãos''. No último dia 21, o presidente do Ippul, Robinson José Borba, afirmou à FOLHA que, para acelerar a aprovação dos projetos, não faria alterações nos textos, o que exigiria a realização de novas conferências. A ideia do Executivo é apenas sugerir emendas aos próprios vereadores, que ficariam encarregados das mudanças.
Segundo uma das integrantes do Ouve Londrina, Gabriela Fontoura, as mudanças viárias e de zoneamento não foram discutidas com a transparência necessária desde que os projetos foram apresentados, há mais de cinco anos. ''Boa parte da população sequer conhece as mudanças que as ruas de seus bairros sofrerão.'' O desconhecimento, segundo ela, se deve à complexidade do tema, à linguagem técnica utilizada nas apresentações, à falta de divulgação das reuniões ou ao horário em que ocorreram, quando as pessoas estavam no trabalho.
Em dezembro do ano passado, em razão de erros detectados nos dois projetos - os textos tinham conteúdo diferente do que foi aprovado nas conferências pelos moradores -, a Câmara recusou-se a votar as matérias.
A líder do Executivo, Elza Correia (PMDB), garantiu ontem, em plenário, que ''haverá oportunidade para que toda a sociedade discuta os projetos''. ''Não podem ser votados de afogadilho, empurrado goela abaixo. Vamos votar com responsabilidade.''
Jamil Janene (PP) não gostou da incumbência delegada à Câmara pelo Executivo. ''Tomei um susto quando soube que a bomba veio para a Câmara. Não sou engenheiro, não entendo de zoneamento. O Executivo é que deveria mandar o projeto pronto.''
Ele apresentou um requerimento para que o Ippul liste todas as ruas residenciais que serão transformadas em comerciais com o novo Plano Diretor, mas o seu pedido foi rejeitado por 10 votos a seis, com o entendimento de que isso já consta do Plano Diretor. ''Queríamos as informações de forma mais simplificada, conforme nos solicitou a comunidade.''
Hoje, a partir das 14 horas, vereadores, representantes do Ippul, da Companhia de Habitação (Cohab) e o próprio prefeito Alexandre Kireeff (PSD) participam de uma reunião para esclarecer aos parlamentares ''o que é o Plano Diretor''. ''É uma introdução, para esclarecermos algumas informações básicas'', disse o presidente do Legislativo, Rony Alves (PTB), que convocou a reunião juntamente com a Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara.


