Morador confirma à CEI ter ouvido sobre cafezinho
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sexta-feira, 16 de maio de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga suspeitas na emissão de alvarás e Habite-se em Londrina ouviu ontem uma testemunha que presenciou o momento em que um fiscal pedia um "cafezinho" para emitir o documento definitivo de uma casa no Jardim Colúmbia. O caso já havia sido citado pelo presidente da associação de moradores do bairro, Juliano Dalto.
A CEI dos Alvarás ouviu ontem cinco moradores de residências que tiveram o Habite-se liberado com base em documentos da Secretaria de Obras irregulares. Para isso, fiscais atestam a existência de obrigações arquitetônicas, como presença de piso tátil nas calçadas, onde não há. Nenhum deles falou com a imprensa e não tiveram os nomes divulgados.
Segundo o presidente da CEI, Jamil Janene (PP), um dos depoentes contou, ao ser questionado, que estava na casa adquirida em nome da mulher dele, quando o fiscal, ao fazer a vistoria, afirmou que não seria possível dar o Habite-se para aquele imóvel. "Então, o fiscal pegou o telefone na frente dele, ligou para o construtor e pediu o cafezinho", disse Jamil. O valor não foi confirmado pela pessoa, que disse, ainda, não se lembrar de como é o fiscal.
O mesmo caso já havia sido relatado ao Ministério Público. Juliano Dalto, o primeiro a ser ouvido na CEI, contou em entrevista ter ouvido a história, mas um pouco diferente.
Segundo ele, o comprador questionou o construtor sobre a dificuldade para liberar o Habite-se para a casa, necessário para dar andamento no financiamento. O construtor, então, teria ligado para o fiscal e dito que pagaria um "cafezinho" justificado ao comprador como "nada que R$ 300 não resolva".
Jamil disse que os novos depoimentos vão ao encontro do que já foi apurado até o momento e tirou dúvidas sobre as relações entre construtores e fiscais. Novos documentos devem ser solicitados à administração municipal, como a que indica o responsável pela fiscalização do imóvel. "Acho que 95% do trabalho em relação ao Jardim Colúmbia está feito", avaliou.
A suspeita de pagamento de propina na liberação de casas no Jardim Colúmbia provocou uma crise na Secretaria de Obras, levando o Ministério Público a abrir investigação. A demora no encaminhamento dessas suspeitas para apuração pela Corregedoria do Município levou à queda da diretora de aprovação de projetos da pasta, Celina Ota. No dia seguinte, mediante a suspeita de cobrança de propina por fiscais, o então secretário Sando Nóbrega colocou o cargo à disposição de Alexandre Kireeff (PSD).


