Monteiro assume PF com carta branca
Agência Folha
O ministro da Justiça Renan Calheiros empossou ontem o novo diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho, e afirmou que ele tem carta branca para limpar a instituição dos policiais envolvidos em crimes. Calheiros defendeu uma PF independente para investigar com absoluta isenção. Apesar de a cerimônia ter sido prestigiada por cerca de 20 políticos, entre eles o ministro das Comunicações Pimenta da Veiga, coordenador político do governo, Calheiros aproveitou o discurso para criticar tentativas de politização da PF por partidos ou por grupos da própria instituição.
De acordo com o ministro, não adianta a PF ter bons policiais, boa remuneração, bons equipamentos e bom treinamento se faltar autonomia para investigar. Calheiros disse que o combate ao narcotráfico, uma das principais missões da Polícia Federal, não pode ser feito isoladamente e precisa da participação de todos os setores, inclusive das Forças Armadas. Não se pode mais agir como Dom Quixote, afirmou ele.
A posse do novo diretor encerra a crise iniciada há duas semanas com a desastrada escolha do delegado aposentado João Batista Campelo para o cargo. Campelo, indicado para o cargo pela Casa Militar da Presidência, sem consulta prévia a Renan Calheiros, pediu demissão há uma semana por causa das denúncias de que participou em 1970 de sessões de tortura contra o ex-padre José Antônio Monteiro.
Temos um profissional acima de interesses de grupos e sem elos com partidos políticos. Considero extremamente prejudicial a politização do organismo policial, afirmou o ministro. Na posse de Campelo, o discurso de Calheiros durou apenas 38 segundos, incluído o espaço reservado aos cumprimentos às autoridades presentes. Ontem ele falou por 19 minutos.
Monteiro Filho afirmou que não pediu para ser nomeado pelo presidente da República. O novo diretor disse que é tempo de conciliação para eliminar a disputa de grupos no órgão. Ele negou que seja ligado ao grupo do ex-diretor Vicente Chelotti, demitido em março após ter conversas telefônicas grampeadas no próprio órgão.
O único grupo a que pertenço é o grupo da Polícia Federal, afirmou Monteiro. Ele irá manter como vice-diretor o delegado Wantuir Jacini, que foi vice de Chelotti e era o nome preferido do ministro da Justiça para a direção da PF. A indicação de Jacini foi vetada pelo chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso. Hoje, Calheiros, Cardoso e Monteiro participam de queima de drogas em Campo Grande (MS).





