Curitiba - Até o fim deste mês, 15 obras de arte apreendidas durante as diligências da Operação Lava Jato, que investiga um megaesquema de lavagem de dinheiro de R$ 10 bilhões e desvios de recursos públicos para pagamentos de agentes públicos e políticos, deverão ser expostas no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Os quadros eram de propriedade da doleira Nelma Mitsue Kodama, e a suspeita é de que a compra das obras tenha servido para lavar dinheiro de origem ilícita.

Todo o material estava na Polícia Federal (PF) e foi encaminhado ao MON em maio do ano passado, após decisão do juiz Sérgio Moro. Os quadros, entretanto, seguem à disposição da Justiça, e podem ser solicitados ou transferidos sempre que necessário para o andamento do processo. Além de Di Cavalcanti, Cícero Dias e Iberê Camargo, há trabalhos de Aldemir Martins, Orlando Teruz, Claudio Tozzi, David Cymrot, Gerardenghi, Gomide, Heitor dos Prazeres, Mario Gruber e Tony Koegl.

Conforme a diretora cultural do museu, Estela Sandrini, as obras farão parte de uma mostra que reunirá todas as aquisições recentes do MON. Outras 30 telas de outros artistas, nacionais e estrangeiros, como Bernadete Amorim, Didonet Thomaz, Erbo Stenzel, Ida Hannemann de Campos, João Osorio Brzezinski, Guita Soifer, Juliana Stein, Lígia Borba, Antanas Sutkus, também estarão expostas. A montagem da sala que vai abrigar as obras começou nesta semana.

"As obras foram mostradas aos curadores, estão em perfeito estado, são belíssimas e fizemos um laudo técnico, o valor cultural das telas é imensurável. Estão sob nossa guarda e acredito que o público tem necessidade de ver essas obras importantes porque são muito boas. A expectativa é de que a exposição dure cerca de um mês e meio. Depois do trâmite judicial é que vamos saber se elas vão ficar conosco ou não", ressaltou Estela.

As pinturas apreendidas na residência e no escritório de Nelma, em São Paulo, passaram por um processo de higienização, conservação e pesquisa para atestar a procedência e autenticidade de cada obra. Para garantir a conservação elas permaneceram em uma sala especial com temperatura a 20º C e umidade em torno de 50%. A direção do museu tem interesse em mantê-las de forma definitiva em seu o acervo, mas a decisão cabe à Justiça.

"É importante frisar que não será uma exposição somente das obras apreendidas durante a Lava Jato. Estas pinturas farão parte desta mostra que também traz quadros de outros artistas que já fazem parte do acervo do MON", completou.

CONDENADA

Nelma foi condenada a 18 anos de prisão em regime fechado no final de outubro por organização criminosa, evasão de divisas, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Ela é considerada pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) líder de um grupo criminoso que operava no mercado negro de câmbio por meio de empresas fantasmas, para abastecer o esquema do doleiro Alberto Youssef.
Conforme as investigações, somente por conta de três empresas de fachada, a movimentação financeira do grupo de Kodama atingiu R$ 221 milhões durante dois anos. Além disso, a doleira e seus comparsas promoveram a evasão fraudulenta de US$ 5,2 milhões em contratos para pagamentos de importações fictícias entre maio e novembro de 2013.

A doleira foi detida no dia 15 de março do ano passado no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, tentando embarcar para Milão, na Itália, com 200 mil euros não declarados e escondidos em sua roupa intima. Ela ficou presa na carceragem da PF em Curitiba até a metade de junho, quando foi transferida para a Penitenciária Feminina de Piraquara (PFP), na região metropolitana de Curitiba (RMC), onde já está cumprindo pena. Kodama também teve um veículo Porsche apreendido durante a operação.

Além de já ter sido condenada, Nelma é ré em outra ação penal que tramita na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, que apura crime financeiro e lavagem de dinheiro praticado em conjunto com Alberto Youssef e outros seis acusados. A defesa de Nelma recorreu da sentença, mas até agora não houve nenhuma decisão referente ao pedido.

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