Momento expõe divergências no PT
As propostas econômicas de curto prazo para enfrentar o agravamento da crise econômica mundial ainda não são consenso entre os economistas da União do Povo Muda Brasil (PT, PDT, PSB, PCB e PCdoB), coligação de Lula. Um café da manhã com jornalistas, para marcar a posição da frente sobre a turbulência atual, deixou ontem, em São Paulo, muitas indagações no ar.
O principal ponto de discórdia entre os economistas diz respeito ao momento e à intensidade do controle cambial, um dos mecanismos sugeridos pela oposição para evitar a saída excessiva de reservas do País. Alguns, como Jorge Mattoso, da Unicamp, são partidários da centralização cambial como instrumento de defesa da moeda e das reservas. O professor da UFRJ Reinaldo Gonçalves propõe a reversão do processo de liberalização cambial, comercial e financeira.
Outros, mais cautelosos, como Guido Mantega, da Fundação Getúlio Vargas, defendem o controle do câmbio num momento de ameaça de ataque especulativo ou grande fuga de capitais. Há os que propõem a discussão regional, no âmbito do Mercosul. E os que pretendem que o tema atinja o cenário mundial, com a criação de um sistema internacional de pagamentos e regras contratuais para fortalecer o compromisso entre os países em relação ao câmbio.
A idéia de ampliar o debate para o Mercosul foi lançada pelo vice-presidente nacional do PT, Aloízio Mercadante. Se a crise se aprofundar, é preciso defender a estrutura produtiva e as reservas, tomando medidas lideradas pelo Brasil e pactuadas com o Mercosul, afirmou. Já a abordagem internacional foi sugerida pelo economista Paul Singer, ex-secretário de Planejamento da Prefeitura de São Paulo. Para ele, o câmbio não pode flutuar malucamente, sem regras.
Apesar da variedade de pontos de vista, o presidente nacional do PT, José Dirceu, fez questão de salientar que a proposta de controle cambial é um consenso entre os integrantes da campanha da frente de esquerdas. Em diversos momentos, ele interrompeu a exposição dos economistas para lembrar que a oposição não está no poder e que, portanto, não pode anunciar medidas antes de vencer as eleições. Nós não somos o governo, afirmou mais de uma vez. Se fôssemos, começaríamos a reverter todo o sentido da política econômica. Mercadante compartilhou a opinião. Quem sabe quais são as medidas a serem tomadas é quem está com a função constitucional de defender a moeda, ressaltou.
Dirceu admitiu que a frente precisa fazer alianças com o empresariado para reverter a situação de desvantagem na eleição. Daí, o esforço em tentar expor o programa econômico e procurar consolidar uma maioria que garanta o segundo turno.
Os economistas defenderam também a revalorização do mercado interno para promover a geração de empregos, a recuperação de um papel do Brasil mais impositivo no plano internacional e a discussão com a Organização Mundial do Comércio (OMC) de regras de reciprocidade em relação aos parceiros comerciais.Arquivo FolhaJosé Dirceu: fora do poder fica difícil oferecer saídasCarla Franco
Agência Estado





