Cláudia Dianni
Agência Estado
De Brasília
O presidente eleito da Argentina, Fernando de la Rúa, disse ontem em Brasília que a base para a convergência macroeconômica no Mercosul, que poderá levar à adoção de uma moeda única no bloco, é o equilíbrio orçamentário dos países. ‘‘Sem isso será impossível adotar medidas de convergência’’, disse. Segundo ele, é necessário que sejam criadas condições para o equilíbrio fiscal antes de falar em moeda única. ‘‘Isso seria formidável, porque atrairia capital estrangeiro para a região’’, disse.
De la Rúa disse que o presidente Fernando Henrique vai criar uma comissão para discutir a convergência macroeconômica do bloco. ‘‘Estou na expectativa de que o presidente Fernando Henrique crie essa comissão e nos convide para participar’’, afirmou.
Em junho, o presidente Fernando Henrique, em visita à Argentina, comparou as metas a serem fixadas pelo Mercosul com o tratado que estabeleceu as metas de convergência da União Européia. O tratado de Maastricht foi assinado em 1994, na Holanda, e levou o bloco europeu à união monetária, no início deste ano. As metas de convergência macroenconômica a serem adotadas pelo Mercosul referem-se, por exemplo, a limites para o endividamento público e fiscal e normas para política cambial.
De acordo com o presidente eleito, um dos temas da conversa com Fernando Henrique foi a necessidade de integrar temas sociais à agenda do Mercosul. ‘‘Afinal, o objetivo principal é o homem’’, disse o presidente argentino.
De la Rúa afirmou ser a favor do livre comércio entre Brasil e Argentina, ‘‘desde que não traga prejuízos’’. Segundo ele, a solução de controvérsias continuará ocorrendo pela via da discussão entre os setores privados.

mockup