Modelo atual da Cohab já se exauriu
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, admitiu ontem que a situação da companhia na condição jurídica de sociedade anônima já se exauriu, de modo que estaria sendo já aventada, na administração, a possibilidade de se criar uma Secretaria Municipal de Habitação para gestionar os recursos do Fundo Municipal de Habitação. Nesse caso, complementou, a Cohab entraria como fonte captadora de recursos, mas subordinada à secretaria. Questionado sobre a auto-sustentabilidade da empresa, resumiu: A Cohab hoje está vinculada ao orçamento do Município; depende dele.
As declarações de Afonseca foram feitas à imprensa na Câmara de Vereadores, logo após ele debater em plenário, com os parlamentares, a convite deles, a situação da companhia. Na sessão de terça, o mesmo assunto fora explicado aos veradores pelo secretário municipal de Fazenda e Planejamento, Denílson Vieira Novaes. Ambos foram chamados a dar explicações a partir da informação de que, a partir do orçamento deste ano, o município terá de arcar com um rombo de R$ 20 milhões de dívidas renegociadas da Cohab com a Caixa, pela gestão passada, para as quais apenas metade do valor teria sido orçado. Os dados foram divulgados com exclusividade, pela FOLHA, em reportagem no início deste mês.
Afonseca apresentou outros números para a dívida da Companhia, em vez dos R$ 185 milhões renegociados em 2007 e dos R$ 7 milhões renegociados em dezembro do ano passado e que, pelos cálculos da Fazenda, gera parcelas mensais de R$ 1,6 milhão. A dívida na verdade é de R$ 168 milhões, com parcelas mensais de R$ 1,2 milhão, já que R$ 55 milhões dos débitos da Cohab foram repassados à Prefeitura sob autorização legislativa, afirmou.
O orçamento 2009 prevê a destinação de R$ 16,964 milhões à companhia. Segundo o presidente, mensalmente são gastos R$ 1 milhão com folha de pagamento, seguro habitacional, contrapartidas a programas federais e despesas gerais. Essa verba, explicou, vem da quitação dos mutuários. A Cohab precisa de investimentos do município para se fortalecer; se não, não tem como falar ou não em viabilidade. O formato dela precisa ser repensado, e isso vem sendo feito desde ano passado, quando criamos o Fundo Municipal de Habitação, declarou. Não adianta falar: é administrar e continuar buscando recurso.
A vereadora Sandra Graça (PP), uma das poucas que questionou Afonseca em plenário, se disse satisfeita com as explicações menos com a proposta de criação de uma secretaria. Chega de criar cargo. O importante foi que ele admitiu que há R$ 100 milhões que a Cohab precisa receber de inadimplentes, com gestão total desse recurso portanto,é hora de sair da cadeira e renegociar esse valor com os devedores, defendeu.


