Mobilizações miram impeachment e constituinte
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de março de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
Dois dias antes das manifestações pedindo o impeachment de Dilma Rousseff (PT) marcadas em várias cidades incluindo Londrina - para o domingo, entidades ligadas ao PT promovem ato a favor da manutenção dos resultados das urnas do ano passado, apesar da pauta também crítica ao governo federal, depois de amanhã.
Enquanto a mobilização anti-Dilma se alastra pelo País, o ato pensado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Federação Única dos Petroleiros (FUP) vai se concentrar em 24 capitais. Já movimento pelo impeachment, criado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), já está confirmado em uma dezena de cidades de 21 Estados, em lista atualizada no último dia 7, além de Austrália, Bolívia, Inglaterra e Estados Unidos. No Paraná, devem se repetir em onze cidades, incluindo Curitiba.
Inicialmente, quatro eventos iniciados no site de relacionamentos Facebook marcavam manifestações em locais e horários distintos em Londrina, mas unificaram ato e pauta de reivindicações: impeachment, cadeia para corruptos, regulação da mídia, fim das urnas eletrônicas, moralização na Petrobras e BNDES e até a redução da maioridade penal.
Os manifestantes se concentrarão no cruzamento das avenidas Juscelino Kubitschek e Higienópolis e seguirão pela última via até a Avenida Paraná, onde seguem até um carro de som. Somente no "Marcha Londrina Impeachment", mais de 21 mil confirmaram presença.
Segundo Cintia Carvalho, uma das organizadoras, a insatisfação com o governo e as denúncias da corrupção justificam a adesão. "Queremos mostrar que o povo tem poder para mudar. Se não estiver bom com a Dilma, tira. Se não estiver bom com o (Michel) Temer (vice-presidente), tira. O objetivo é acabar com a corrupção", diz. Ela não quis, entretanto, comentar o protesto engendrado para sexta. "É complicado, porque parece patrocinado pelo PT."
O secretário de comunicação da CUT do Paraná, Daniel Mittelbach, discorda. "A definição do eixo da nossa pauta deixa claro que não estamos preparando uma antítese ao protesto do dia 15." Os pontos centrais são a defesa da Petrobras e seus funcionários; dos trabalhadores contra ajustes fiscais que tiram seus direitos; e a necessidade de uma assembleia constituinte exclusiva. Mittelbach espera cinco mil pessoas em Curitiba, mas justificou que um evento centralizado chamaria mais a atenção que a pulverização. "Virão ônibus do interior", diz. A concentração será na praça Santos Andrade, às 17h, com marcha até a Boca Maldita. Sobre os protestos de domingo, disse ser legítimo o direito de manifestação dos que estão insatisfeitos. "O que não podemos concordar é com um movimento golpista."


