Entidades londrinenses estão se mobilizando para exigir do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ), uma solução para o grande volume de processos em tramitação no Fórum de Londrina. Conforme a Folha apurou e divulgou ontem, cada uma das dez varas cíveis da cidade conta com uma média de oito mil processos em tramitação, dez vezes mais do que recomenda o Código de Divisão Judiciária.
  Representantes da subseção Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL) e da organização não-governamental (ONG) Pés Vermelhos, deverão se reunir segunda-feira com o diretor do Fórum, Alberto Júnior Veloso, para discutir o excesso de processos.
  ‘‘Vamos conversar com o diretor do Fórum para saber as medidas que estão sendo tomadas para fazer os processos andarem. Vamos fazer um trabalho junto ao tribunal, procurando ver se a gente melhora as condições de trabalho aqui em Londrina. Isso não só nos preocupa como estamos envidando esforços não só para instalação das duas varas já criadas, como a construção do novo anexo do Fórum que está em licitação’’, disse o presidente da OAB Londrina, José Carlos da Rocha, se referindo ao anúncio de criação de duas novas varas cíveis feito em novembro de 2004, pelo ex-presidente do TJ, Oto Sponholz. As varas ainda não foram instaladas.
  Na avaliação do membro da ONG Pés Vermelhos, o advogado Claudemir Molina, é hora da sociedade buscar soluções para a lentidão do Judiciário local. ‘‘Eu vejo com grande desalento porque a gente sente que a cúpula do poder Judiciário não está dando a devida atenção para Londrina. Estamos abandonados à própria sorte. Não é falta de empenho dos juízes mas constatamos que há carga de trabalho muito grande. Já que a classe política não se interessa por essas coisas, a sociedade civil organizada tem que exigir. A gente sabe de todas as dificuldade de caixa, mas o estado não está prestando o serviço para o juridicionado, não está cumprindo o papel dele’’, criticou. ‘‘A justiça que tarda não é justiça. Estamos iniciando uma conversa com outras entidades para ver se a gente consegue somar as forças e fazer as nossas vozes chegarem onde precisa’’, disse.
  ‘‘Eu acho que é humanamente impossível atender essa demanda. Os processos exigem responsabilidade nas decisões. Precisa aumentar não só duas varas, mas o Fórum e trazer mais varas’’, afirmou o presidente do Ceal, Nelson Brandão.
  Conforme o diretor do Fórum, a construção do anexo ao prédio está em fase de licitação. Segundo ele, não há sinalização de criação de mais varas para a cidade. ‘‘Não existe nenhum plano de criar novas varas em Londrina. Foram criadas duas varas cíveis em 2004 e nem essas foram instaladas’’, relatou.
  A expectativa de Veloso foi confirmada pela assessoria de imprensa do TJ. Conforme a assessoria, não há sequer previsão para a implantação das novas varas, principalmente pela falta de juízes. No ano passado, o TJ abriu concurso para a função e somente 17 candidatos foram aprovados. Atualmente, um novo concurso está sendo realizado. O processo de seleção dura cerca de seis meses. A assessoria afirmou ainda que em todo o Estado faltam cerca de 80 juízes.

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