Folha - Que avaliação que você faz do primeiro mandato do Nedson em relação ao servidor?
Urbaneja - Foi um período de enganação. No primeiro ano ele pediu paciência, porque pegou a situação da prefeitura ruim. No segundo ano, pediu paciência dizendo que não conseguiu colocar as finanças em ordem. No terceiro ano, quando a coisa começou a apertar, ele deu 10% em maio e 5% em agosto, conforme a confirmação do crescimento da receita. Em 2004, ele criou a grande ilusão do PCCS.
Folha - E a argumentação da Prefeitura que afirma ter dado de 27% a 31% de reajuste?
Urbaneja - Em 2002 foram R$ 70 de abono emergencial. Agora, para contabilizar, incluem o abono.
Folha - Qual a expectativa para o servidor neste segundo mandato de Nedson?
Urbaneja - Agora o Nedson não precisa mais ser reeleito e não tem preocupação em deixar sucessor. A perspectiva agora é de um embate difícil, truculento e vamos ter que apostar na nossa habilidade para conseguir alguma coisa.
Folha - Como você avalia as afirmações de que Antonio Belinati é o mentor da diretoria do sindicato?
Urbaneja - Vamos fazer um retrocesso. Em 1996, foram para o segundo turno Antonio Belinati (PSL) e Luiz Carlos Hauly (PSDB). O Paulo Bernardo (PT) apoiou o Belinati. O grupo do Nedson apoiou o Hauly. Em 1998, o Nedson e André Vargas foram ser coordenadores da campanha de Paulo Bernardo, que fez dobradinha com o Antonio Carlos Belinati. Nunca pedi votos para o Belinati, nunca trabalhei para ele.
Folha - Nem os diretores do sindicato?
Urbaneja - A nossa chapa é heterogênea. Temos gente do PT, gente que trabalhou para o Belinati. Eu fiquei neutro nestas eleições. Em 1996, não apoiei Belinati nem Hauly.
Folha - E em 2000, você apoiou o Nedson?
Urbaneja - Não apoiei ninguém.
Folha - Sendo do PT, por que nunca apoiou o Nedson?
Urbaneja - Porque não representava um grupo ético. Sempre vi nesse grupo a busca pelo poder.
Folha - Qual a avaliação que você faz hoje do PCCS?
Urbaneja - O PCCS é importante para o servidor. O problema é o famoso trem da alegria. O PCCS não previa isso (promoções de até 100%). Na hora de fazer a lei, começaram a enxertar coisas.
Folha - Qual foi o fator preponderante para o início da greve?
Urbaneja - O servidor vem sendo agredido silenciosamente todo esse tempo. Com relação ao PCCS, a não reposição das perdas salariais, parcelamento das horas extras, mudança de horário. Foi uma sequência de agressões. Chegou dia 17 de fevereiro fizemos uma assembléia histórica. Esperávamos de 200 a 250 pessoas. Apareceram mais de mil.
Folha - Na sua opinião qual foi o maior entrave que levou a greve durar tanto tempo?
Urbaneja - A irresponsabilidade do prefeito. Ele não pensa a cidade, ele pensa a política dele.
Folha - Você acredita nos números que a prefeitura apresentou?
Urbaneja - Não. Acreditamos que existe alguma maquiagem, alguma coisa bem esquisita.
Folha - Você tem expectativa de algum reajuste para este ano?
Urbaneja - O prefeito assinou um acordo e descumpriu um item menos de 24 horas depois. Eu não tenho expectativa nenhuma que ele vá atender os servidores.
Folha - Você acha que é possível mobilizar a categoria para o retorno à paralisação?
Urbaneja - É possível. Existe um descontentamento muito grande. Uma coisa que gostaria de deixar claro é que temos plena convicção que essa greve não é do sindicato, é do servidor.

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