Curitiba - O governo do Estado sofreu ontem mais uma derrota política na Assembléia Legislativa, quando os parlamentares resolveram votar e aprovar os dois projetos de lei que trazem benefícios para os professores e servidores de escolas públicas estaduais. As propostas, de autoria do deputado estadual André Vargas (PT), prevêem a equiparação dos salários dos professores estaduais com os demais servidores que possuem ensino superior e a criação de um plano de carreiras dos funcionários de escolas. O governo tentou adiar a discussão, propondo emendas que foram derrubadas por unanimidade ontem. Nem mesmo a estratégia de esvaziar o plenário deu certo. A mobilização dos professores nas galerias forçou a presença dos parlamentares comprometidos com a causa da educação e garantiu quórum para votação.
Dos peemedebistas, apenas a deputada estadual Elza Correa (PMDB) esteve presente para aprovação das propostas. Foram 29 votos que garantiram que o projeto de equiparação salarial fosse aprovado sem emendas e 30 votos que garantiram a aprovação do plano de carreiras dos servidores, também sem emendas. Os professores festejaram nas galerias. Um dos coordenadores políticos da APP Sindicato, Miguel Baiz, disse que a sociedade se mobilizou para garantir o direito dos professores em ter salários mais justos. ''Estamos apreensivos ainda. Mas conseguimos mostrar para sociedade através dos deputados que tínhamos um direito constitucional garantido e não respeitado pelo governo do Paraná. Vamos torcer agora que o governador seja consciente e não vete os dois projetos'', pontuou o professor.
Para o deputado André Vargas, a vitória foi social. ''Os professores conseguiram resistir a forma inadequada que o governo do Estado se comportou, adiando a discussão, dizendo que iria negociar para atrasar o voto dos projetos. Pior ainda. Fez manobras para evitar a votação dos projetos, esvaziando as sessões plenárias. Tomamos aqui uma postura política'', argumentou o petista. O deputado estadual Ademar Traiano (PSDB) disse que a aprovação dos projetos foi em solidariedade aos professores. ''Era uma questão de justiça'', argumentou. Quando a sessão foi encerrada, os professores gritaram em coro: ''Assim é que se vê a força da APP''.
O projeto segue agora para a sanção do governador Requião, que já demonstrou que não tem a intenção de sancioná-los. A alegação era a de que o impacto na folha de pagamento ultrapassaria o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O impacto do reajuste na folha de pagamento do Estado seria de R$ 129,7 milhões. Se Requião vetar, os deputados ainda podem derrubar o veto, homologando os projetos.

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