MM alugou imóvel em Londrina um mês antes de assumir contrato
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
A empresa MM Consultoria, Construções e Serviços, da Bahia, alugou um imóvel na Avenida Arthur Thomas, no Jardim Bandeirantes, na Zona Oeste de Londrina, mais de um mês antes de a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) ter instaurado o procedimento de dispensa de licitação para contratar a empresa que prestaria o serviço de varrição na cidade. O imóvel tem cerca de 3 mil metros quadrados e anteriormente era utilizado pela empresa Qualix, que prestou o serviço de coleta do lixo domiciliar em Londrina.
Conforme documentos que constam de inquérito civil instaurado pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, o contrato de aluguel da MM, no valor de R$ 5 mil mensais, foi assinado em 3 de junho de 2009 e a CMTU somente instaurou o procedimento de dispensa de licitação em 14 de julho. O contrato de locação tinha validade de um ano, mas um contrato emergencial, por lei, não pode ter prazo superior a 180 dias. Além disso, outro indício de que a MM apostava em Londrina é da data do registro da filial da empresa, em 4 de junho. No site da MM, consta que ''sua principal área de atuação é o atendimento a prefeituras municipais''.
O objeto do inquérito civil é apurar suposto favorecimento na contratação da MM, cujo representante legal, Raimundo Paiva, afirma que a vinda da empresa - que somente presta serviços no interior da Bahia - para Londrina se deu porque a cidade seria ''um polo interessante de prestação de serviços''. Ele também confirmou ao Ministério Público que logo após a eleição do prefeito Barbosa Neto (PDT), em abril de 2009, solicitou uma reunião com Kentaro Takahara, que coordenou a campanha pedetista no terceiro turno e iria, depois da posse, assumir o cargo de secretário de Gestão Pública.
A reunião seria para obter informações sobre as áreas de atuação da MM, principalmente, limpeza pública. Dois agentes da CMTU que trabalharam na campanha foram incumbidos de passar todas as informações necessárias para a nova empresa. Menos de três meses depois, a MM conseguiria o primeiro contrato com o poder público, no valor de R$ 2,8 milhões, por seis meses, para a varrição das ruas, serviço que executa até hoje, sem licitação. Takahara também confirmou a reunião, mas negou que houvesse tentativa de favorecimento da MM. O atual presidente da CMTU, André Nadai, que à época da contratação da MM era diretor administrativo-financeiro, e o ex-presidente Lindomar Mota do Santos, também negam irregularidades na contratação da MM.
Depois da varrição, a MM substituiu a Xapuri na capina e roçagem. Ao final do contrato, a Visatec, de Londrina, assumiu este serviço. O terceiro contrato da MM, no valor aproximado de R$ 1 milhão mensal, foi para o recolhimento do lixo domiciliar, serviço que ainda é executado pela MM, por meio de contrato emergencial.


