Missão de Luís Eduardo será tocar as reformas
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
O deputado Luís Eduardo Magalhães aceitou ontem - dentro do prazo de 48 horas que pedira - o convite do presidente Fernando Henrique para assumir a liderança do governo na Câmara com a preocupação de retomar a votação das reformas, paralisada na Câmara há quase um mês. Aceitei o cargo porque confio no presidente, no governo e, especialmente, no projeto de reformas, disse.
O ex-presidente da Câmara entende que não há mágica possível para aprovar as reformas, por isso escolheu o caminho da composição com os líderes partidários para somar forças e aprovar o que está pendente. Não existe mágica, ninguém faz nada sozinho, disse.
Para ele, o governo precisa ter uma posição mais firme, mais clara na defesa do projeto de reformas e é nesse sentido que pretende trabalhar. Não gosto de fazer acordos que comprometeram a essência do projeto reformista. Desfigurar o projeto, acredita, acaba sendo mais prejudicial e em determinados casos é melhor a derrota marcando posição do que um arremedo de reforma.
Luís Eduardo ressalva não estar prometendo só sucessos: Não estou prometendo nada, até porque o Congresso não é reformista, é conservador, disse. Ninguém chegou aqui dizendo que iria reformar o Estado para acabar com privilégios de funcionário público ou aposentadorias especiais; mas chegou prometendo estradas, escolas e hospitais.
Para o líder, sua principal tarefa é restaurar a credibilidade do governo na palavra dada. É que, de uns tempos para cá, os líderes aliados firmavam compromissos nas votações e depois eles não eram cumpridos. Entro para ficar e sei o papel que vou desempenhar; mas se não me derem condições de trabalhar, eu saio.
Luís Eduardo Magalhães reconhece que assume a liderança num momento difícil do governo, mas nada que seja irreversível. A estabilidade econômica continua sendo o forte do governo, disse. Para ele, houve uma degradação do ambiente político por causa de problemas que foram surgindo sem que o governo reagisse. E cita como exemplo a marcha dos sem-terra a Brasília, seguido do processo de privatização da Vale do Rio Doce _ episódios em que o governo poderia ter se saído bem junto à opinião pública, mas acabou perdendo a batalha da comunicação.


