Miro propõe CPI do Grampo
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domingo, 30 de maio de 1999
Agência Estado 
Arquivo Folha O deputado Miro Teixeira (foto), do PDT do Rio, vai apresentar esta semana requerimento para que o Congresso instale a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Grampo, destinada a apurar as escutas telefônicas clandestinas no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante o processo de privatização da Telebrás. Miro Teixeira também tem pronta a minuta de projeto de lei que estabelece anistia aos participantes do grampo dispostos a revelar os fatos à Polícia Federal (PF), que investiga o caso. Com as duas iniciativas, ele acha possível chegar-se em pouco tempo aos autores do grampo.
O deputado pedetista, que na semana passada revelou ter conhecimento de participantes da operação, está convencido de que, sem apuração a fundo do episódio, o País corre o risco de ficar à beira de uma desordem institucional e de uma crise de credibilidade.
O grampo é um escândalo internacional tão ou mais grave que o conteúdo das fitas, disse o deputado, que pretende conversar ainda hoje com líderes dos partidos da base aliada do governo na Câmara para buscar apoio ao projeto da anistia e à instalação da CPI do Grampo.
Segundo Miro Teixeira, essa CPI teria características diferentes da CPI da Privatização, que foi pedida pelos partidos da oposição, na semana passada, depois da divulgação do conteúdo de outras fitas. Se eles quiserem, podem fazer alterações no texto do meu requerimento para limitar a atuação da CPI à apuração das responsabilidades exclusivamente do grampo, defendeu Miro Teixeira. Quero mostrar que a CPI não é contra o governo, mas a favor do País e contra o Estado paralelo que existe dentro do Estado.
Para o deputado, o episódio do grampo pode afastar do País grandes investidores estrangeiros, além de deixar inseguros os empresários nacionais, que possuem padrão de concorrência nacional e internacional e que necessita de sigilo empresarial.
É absolutamente incontrolável o poder do Estado paralelo, que coloca em risco as garantias de todo cidadão brasileiro comum, empresários, jornalistas, políticos e autoridades, disse Miro Teixeira. Ele acrescentou não ter dúvida da participação de dirigentes da Agência Brasileira de Informação (Abin) na autoria do grampo.
O deputado disse ainda que, com vontade política, é possível votar em apenas duas semanas o projeto da anistia na Câmara e no Senado. Segundo ele, quem participou do grampo e está disposto a dar informações sobre o caso, em troca de uma anistia prévia, está envolvido num quadro de medo justificado.


