Minoritários não devem vender ações da Copel
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sexta-feira, 02 de novembro de 2001
Vânia Casado<br>De Curitiba 
Analistas de mercado não recomendam a venda das ações da Copel por parte dos acionistas minoritários. O governo do Estado liberou a venda das ações que estavam caucionadas no processo de venda e quem não quiser mais participar do leilão pode vender seus papéis no mercado. Ocorre que quem sair do processo agora não poderá recomprar as ações depois para participar do leilão.
O analista Mohmed Thlah Júnior, da Century Gestão de Recursos, de Curitiba, não acredita em avalanche de desistência dos minoritários porque ainda existe a expectativa do leilão. Segundo ele, a realização do leilão não está afastada. Ele aponta o GP Participações, um grupo de investimentos que tem Jorge Paulo Lemann, do Banco Garantia, como um dos nove sócios, como um concorrente. ''Mesmo que haja apenas um concorrente, o leilão será realizado'', afirmou o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, durante a semana.
Mesmo que o leilão não seja realizado, ainda assim as ações dos minoritários não devem ser vendidas, aconselha o analista. Ele justifica que o investidor deve vislumbrar que nos próximos dois ou três anos a Copel pode vir a ser uma empresa exportadora de energia, com a regulamentação do mercado atacadista de energia.
Para o analista Marcos Severini, da Sudameris Corretora, de São Paulo, apostar no grupo GP Participações, para a realização do leilão, é uma incógnita porque não se sabe de onde está captando os recursos. ''Sabe-se que os recursos são de investidores institucionais, só'', destacou. Por isso, ele não sabe o que há por trás desse grupo.
Severini acredita que vai haver um movimento grande de venda de ações de minoritários na semana que vem. A tendência, aponta, é que o valor das ações ordinárias, que dão direito a voto, voltem a valer menos que as ações preferenciais, como sempre ocorreu. Com a expectativa do leilão, houve uma migração para compra das ações ordinárias, disse o analista. ''Se o leilão não acontecer, pode ocorrer o movimento inverso porque as ações preferenciais, cotadas hoje em R$ 12,86 o lote de mil ações, estão mais baratas que as ordinárias.
Para Severini, a não realização do leilão foi pura falta de sorte para o governo do Paraná. A data fixada estava muito próxima aos atentados terroristas ocorridos nos Estados Unidos, em setembro, o que afastou o apetite de investidores nos países emergentes. Aliado a isso, está havendo uma crise de desconfiança dos investidores no setor elétrico brasileiro. O analista reconhece que esses fatos nada têm a ver com o governo do Paraná. Mas lembra: ''Como o investidor vai colocar mais dinheiro num setor que está em desequilíbrio financeiro forte?'', questiona.
O leilão da Copel deveria ter ocorrido no dia 31, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, mas foi adiado porque as interessadas no negócio não depositaram as garantias (R$ 400 milhões) na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) sem contar a sequência de liminares judiciais que bloqueavam o leilão. Além do grupo GP Investimentos (Altere Participações), estavam no páreo o consórcio Maromba (Vale do Rio Doce e Votorantim) e consórcio Beta (Tractebel, da Bélgica). Durante a semana, Tractel e Vale anunciaram que desistiram da Copel.


