Enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU) continua as investigações sobre a atuação de agentes do Ministério dos Transportes na liberação de aditivos contratuais de obras, a cada dia, mais nomes aparecem na crise do setor. Segundo reportagem publicada na imprensa nacional, no último domingo, depois de terem sido envolvidos por Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e seu marido, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, teriam uma relação bem próxima com a consultora e Teresinha Nerone, que possui duas empresas de assessoria, Proneje e Anality Consultoria.
Teresinha Nerone é engenheira e, por meio de suas empresas, foi contratada pela Prefeitura de Maringá (Noroeste) para acompanhar o trâmite do projeto da construção da obra ''Contorno Norte de Maringá''. Mas, segundo a reportagem, ela faria lobby para captar recursos para prefeituras e governos. Tanto que a obra está sendo investigada pelo TCU que aponta mais de R$ 10,5 milhões de sobrepreço nos pagamentos efetuados pelo Dnit. A relação de amizade entre a consultora e os ministros, estampada inclusive em comentários nas redes socias, teria favorecido a liberação de recursos para a obra, executado pela empreiteira Sanches Tripoloni.
Sobre a insinuação de que a amizade entre Gleisi e Teresinha tenha tido algum reflexo ou desdobramento no repasse de recursos, em nota, a ministra disse: ''Sou amiga de Teresinha Nerone há muitos anos. Essa relação de amizade não dá a ninguém o direito de fazer ilações infundadas, de má-fé. Nunca tratamos de trabalho, tampouco de liberação de recursos federais para quaisquer fins.'' A assessoria do ministro Paulo Bernardo foi procurada diversas vezes durante o dia pela reportagem, mas não retornou o pedido para se manifestar sobre o assunto.
Também procurada durante todo o dia pela FOLHA, a empresária não foi encontrada para comentar sobre sua suposta participação no recebimento de recursos. Conforme apuração da reportagem, Teresinha é cunhada de Émerson José Nerone, ex-deputado estadual, que no ano de 2009 foi condenado pelo TCU, juntamente com o ex-secretário do Trabalho, Padre Roque, por irregularidades, quando diretor, na aplicação de recursos recebidos do Ministério do Trabalho. O Governo do Paraná foi condenado a devolver o valor, na época, de mais de R$ 17,8 milhões. A reportagem não conseguiu localizar o ex-parlamentar.
Prestação de serviço
A Prefeitura de Maringá, também em nota, disse que o serviço oferecido pela empresa de Teresinha é de consultoria para a prestação de serviços técnicos especializados de assessoramento na montagem e acompanhamento de processos do interesse dos órgãos, integrantes da administração direta e indireta do município de Maringá, junto aos órgãos públicos estaduais e federais, bem como a empresas e instituições privadas e organismos nacionais e internacionais.
''A consultoria não atua na liberação de recursos. Engloba apenas a prestação de serviços profissionais especializados da área técnica no acompanhamento dos projetos e obras. A Prefeitura de Maringá manteve dois contratos de consultoria firmados pelas licitações (processos) 16.454/2008 e 13.530/2009; e atualmente em vigor o processo 870/2010'', completou, informando ainda que a empresa não foi contratada para executar outros serviços para o município.
A empreiteira responsável pela construção do anel viário de Maringá, respondeu em nota que a empresa desconhece qualquer irregularidade na liberação de recursos para a obra. ''A Construtora Sanches Tripoloni ressalta que obteve todos os seus contratos de forma regular e de acordo com a legislação vigente, e suas obras sempre atenderam às normas de fiscalização e execução.'' Sobre a obra orçada em R$ 142 milhões que foi elevada para R$ 179 milhões, a empreiteira afirmou que os aditivos contratuais correspondem à execução de serviços necessários que não estavam previstos no projeto original.
Já com relação as doações da construtora à campanha de Gleisi Hoffmann - cerca de R$ 510 mil - a nota informou ainda que ''todas as doações a partidos políticos e a candidatos realizadas pela Construtora Sanches Tripoloni foram feitas de forma oficial, de acordo com as normas vigentes e a legislação eleitoral brasileira, e estão devidamente registradas no Tribunal Superior Eleitoral.'' (Colaborou Carolina Avansini)

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