O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares e o ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira serão ouvidos no início de agosto pelos parlamentares da Subcomissão do Judiciário, no Senado. Essa subcomissão foi criada pela CPI do Judiciário do Senado, ao fim dos trabalhos, com a tarefa de analisar fatos relacionados ao escândalo da obra superfaturada de construção do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo.
A decisão foi adotada ontem, por volta das 21h30, pela Comissão Representativa do Congresso, ao aprovar parecer do senador Carlos Patrocínio (PFL-TO) que faz essa recomendação. O parecer aprovado estabelece que a Subcomissão do Judiciário ouvirá também os demais envolvidos no caso.
O ex-secretário geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira vai entregar, na próxima semana, ao Ministério Público a quebra do seu sigilo bancário, fiscal e telefônico. Mas, segundo o advogado do ex-ministro, José Gerardo Grossi, a quebra do siglo telefônico dos números utilizados por Eduardo Jorge no Palácio do Planalto, quando era secretário-geral da Presidência, depende de uma autorização do presidente FHC. Ontem, o Ministério Público anunciou que vai pedir a quebra do sigilo bancário do grupo OK, de propriedade do ex-senador Luiz Estevão, e de contas do grupo Monteiro de Barros.
Estes dois grupos receberam parte dos R$ 169 milhões desviados da obra superfaturada do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. Mas a CPI do Judiciário, que descobriu o desvio de recursos, não investigou para que contas foi enviada parte dos R$ 169 milhões recebidos pelas empresas dos grupos OK e Monteiro de Barros. Os procuradores vão centrar os pedidos de sigilo bancário de empresas que receberam somas altas do TRT.
Segundo o procurador Guilherme Schelb, do Ministério Público de São Paulo, o rastreamento que está sendo feito pelo Banco Central nas 80 ordens bancárias emitidas à Incal, responsável pela obra do Fórum Trabalhista, está incompleto.
‘‘Esse rastreamento tem um problema porque, em alguns casos, aparece o banco, a conta e agência para que foi o dinheiro, mas não aparece o nome do beneficário’’, reclamou Schelb. Com as novas quebras de sigilo, o Ministério Público vai tentar esclarecer se existe algum vínculo entre Eduardo Jorge e o desvio de recursos do Fórum Trabalhista. ‘‘Temos um objetivo específico: investigar se existe relação do Eduardo Jorge com o desvio da verba do TRT’’, afirmou Meirelles.

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