Ministros saem em defesa de candidatos
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sábado, 22 de maio de 2004
Agência Estado 
Brasília Com o lema ''ser governo é solução e não problema'' para o PT nas eleições de outubro, pelo menos dez ministros petistas estão escalados para levar aos palanques municipais a defesa do governo Lula, seus números, programas e promessas. É o PT se preparando para enfrentar na disputa pelas prefeituras uma campanha contra a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para afinar o discurso de ministros, dirigentes partidários, candidatos e militantes, o presidente nacional do partido, José Genoino, está em maratona pelos Estados. Ele trabalha para convencer os companheiros que defender o governo será o melhor negócio. ''O candidato do PT que não defender Lula dos ataques dos adversários vai perder a eleição'', disse Genoino à reportagem.
O presidente não subirá em palanque, nem mesmo no de Marta Suplicy, em São Paulo. É essa a decisão dele, pelo menos por enquanto. Mas estará no palanque eletrônico, a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, em programas de petistas e de aliados que não estejam em confronto direto com o PT. Mas os ministros do PT estão liberados para fazer campanha pra valer a partir de julho. Nos fins de semana e feriados, ressalta Genoino.
A presença do governo Lula nos palanques, pela figura de seus ministros, se dará prioritariamente nas capitais e grandes cidades. São municípios onde é grande o percentual de eleitores que levam em conta o desempenho do governo federal na hora de escolher o seu prefeito. Para a acirrada disputa em Porto Alegre, por exemplo, o PT gaúcho contará com o reforço de três ministros Olívio Dutra (Cidades), Tarso Genro (Educação) e Miguel Rosseto (Reforma Agrária) e seus grandiosos projetos, como o de saneamento básico, que despejará mais de R$ 2 bilhões nos municípios este ano.
Também em Belo Horizonte, onde a reeleição do petista Fernando Pimentel já não é considerada hoje tão favorável como há dois meses, três ministros do PT estarão em campo. O principal deles, Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social, emprestará não só seu prestígio pessoal na cidade, que já administrou, como terá a oportunidade de badalar o programa mais importante do governo na área, o Bolsa-Família, que, segundo promessas do governo, atenderá até o final do ano 6 milhões de famílias em todo País com um gasto de mais de R$ 4 bilhões.
''O PT vai fazer campanha centrada no que acumulamos de experiência nos municípios, mas também vamos ter que fazer dessa campanha a grande defesa do governo Lula'', afirma Genoino, ao justificar que a nacionalização da eleição municipal é uma proposta da oposição. ''Quando estávamos na oposição também botamos temas nacionais nas disputas municipais e perdemos'', diz.
Ele lembrou que o PT foi para a eleição paulistana em 1992 apresentando seu candidato Eduardo Suplicy como um dos principais atores do processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor, o tema do momento que despertava paixões no País inteiro. O senador perdeu para Paulo Maluf, que foi tratar dos problemas dos bairros.
Genoino diz que o tucano José Serra quer agora levar para a disputa paulistana o julgamento do governo Lula. ''O PSDB está fazendo uma operação de altíssimo risco. Se eles perderem, antecipamos 2006, não é isso que eles querem?.''
Na tática de convencimento interno de que ser governo é solução e não problema, Genoino lista três pontos como fundamentais para a vitória petista em outubro: ''O PT tem o maior tempo na TV; o cenário a partir de julho será mais favorável ao governo Lula; e o PT tem uma estrutura de diretórios e militantes organizada em cinco mil municípios''.
O PT prepara também uma espécie de cartilha, com números e argumentos técnicos do governo Lula, para fundamentar o discurso de candidatos, ministros e dirigentes.


