O anúncio do convite do presidente Fernando Henrique Cardoso a Edson Arantes do Nascimento para trazer Pelé de volta ao governo apenas esquentou um debate que já vinha sendo travado, nos bastidores, pelos principais líderes e ministros políticos da aliança governista.
Em almoços e jantares discretos, em Brasília e nos Estados, os ministros Pimenta da Veiga (PSDB), das Comunicações; Eliseu Padilha (PMDB), dos Transportes; e o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), são alguns dos principais articuladores que já discutem o ‘‘day after’’ da disputa pelos postos de comando do Congresso.
Em pauta, as possibilidades de compensação, no Executivo, capazes de manter a união da base aliada, seja qual for o derrotado na sucessão da Câmara e Senado. Pimenta tem insistido que tudo depende da eleição no Senado, que depende do PMDB que, por sua vez, depende da decisão e do desempenho de seu presidente e líder, senador Jader Barbalho (PA).
Mas o cenário mais trabalhado nas conversas, dentro e fora do governo, é o que dá vitória ao próprio Jader no Senado e ao líder Aécio Neves (PSDB-MG) na Câmara, que derrotaria o PFL do líder Inocêncio Oliveira (PE). E, neste caso, discute-se a entrega da ‘‘fatura política’’ ao presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), autor do veto a Jader no Senado e responsável pelas dificuldades eleitorais de Inocêncio na Câmara.
O próprio Palácio do Planalto já trabalha com a hipótese de ter ACM engrossando o coro dos adversários, como uma espécie de ‘‘franco atirador’’, mas o senador baiano duvida de que Fernando Henrique possa ‘‘prejudicar a qualidade do ministério’’ para fazer uma retaliação política a ele. Não é o que dizem, porém, alguns peemedebistas, tucanos e até pefelistas de expressão nacional.
Setores da base aliada e do próprio governo acreditam que ACM perderá o ministério das Minas e Energia, comandado hoje por Rodolfo Tourinho. Sustentam que a mudança virá também por questões técnicas, porque FHC estaria insatisfeito por ter sido surpreendido com a carência da capacidade energética nacional no ano passado.

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