Ministros ouvem críticas em Minas
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quinta-feira, 21 de abril de 2005
Eduardo Kattah<br> Agência Estado 
Ouro Preto, MG - A celebração da Inconfidência Mineira, ontem, em Ouro Preto (MG) foi marcada por críticas à concentração de receitas pela União. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), que presidiu a solenidade, levantou a bandeira, defendendo a ''conciliação nacional'' em torno de um novo pacto federativo, discurso reforçado pelos colegas tucanos Geraldo Alckmin (SP) e Simão Jatene (PA), além do peemedebista Germano Rigotto (RS). O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, estava presente na solenidade.
Desde a posse no Palácio da Liberdade, Aécio insiste na partilha da arrecadação tributária, concentrada nas mãos da União. O argumento é que Estados e municípios estão engessados, sem recursos para os investimentos necessários. Ao iniciar seu discurso, o governador mineiro pediu licença para, mais uma vez, expor publicamente sua ''preocupação com a erosão do pacto federativo'' no Brasil. Disse que a ''força centralizadora'' é antiga no País e lembrou que o ''sistema imperial caiu não porque fosse uma monarquia, mas por ser centralizador''.
''A Federação, mesmo mitigada, praticamente já não existe, sobretudo com o esforço concentrador dos últimos 15 anos'', disse Aécio, num discurso em que lembrou o avô, o presidente eleito Tancredo Neves, prestando homenagem pelos 20 anos de sua morte.
Depois, em rápida e tumultuada entrevista, o governador de Minas afirmou que não pretendia dar um ''recado apenas'', mas fazer ''uma reflexão'' para qual convocou ''todos brasileiros''. ''É uma reflexão atual e é bom que ela saia aqui de Ouro Preto, que saia do chão de Minas, de onde surgiram as mais importantes reflexões, que ajudaram a transformar esse País'', disse Aécio.
''A nossa geração tem outro grande desafio: repactuar a Federação, reequilibrar os municípios e Estados para que cada um possa cumprir com maior eficiência os seus compromissos com a sociedade. Isso não é contra a União, é a favor do Brasil e deve ser entendido assim também pelos integrantes do governo federal'', observou.
Palocci e o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci que no evento representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva , se recusaram a comentar as críticas e deixaram a solenidade sem falar com a imprensa.
Os ministros foram homenageados com a Grande Medalha da Inconfidência. A comenda foi entregue também ao presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e aos governadores, inclusive Marcelo Miranda (sem partido), de Tocantins. A lista de agraciados, ao todo, tinha 247 nomes.


