Ministros já entregaram cargos para ''desembaraçar'' Cardoso
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de dezembro de 1998
Agência Estado 
Todos os integrantes do primeiro escalão do governo já entregaram os cargos ao presidente Fernando Henrique Cardoso, para deixá-lo à vontade na composição do novo ministério, que será anunciado na quarta-feira. A informação foi passada por um auxiliar de FHC que integrou a comitiva de sua viagem à Bahia anteontem. De acordo com o assessor, para contornar o embaraço criado em torno da dificuldade de formalização da entrega dos cargos pelos ministros militares, eles fizeram a comunicação pessoalmente a FHC. Os demais ministros encaminharam cartas ao chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho.
Segundo o integrante da comitiva, esse tipo de procedimento é comum no meio militar e sob nenhuma hipótese deve ser visto como uma espécie de rebeldia contra a substituição das atuais pastas militares que serão extintas pelo Ministério da Defesa. Eles (os ministros militares) são muito disciplinados, observou.
O auxiliar do presidente disse que não há dúvidas quanto à juridicidade em submeter ao Congresso leis complementares para extinguir os ministérios militares e medidas provisórias para promover a instituição de novas pastas. Ele tampouco vê impedimento no fato de o presidente anunciar o nome do ministro da Defesa antes de a pasta ser criada.
O assunto provavelmente será incluído na pauta da convocação extraordinária do Congresso, que reiniciará suas atividades no dia 4. A oposição deve reagir contra a utilização desses mecanismos, a exemplo do que fez em situações semelhantes, por entender que a Constituição só pode ser modificada pela aprovação de emendas constitucionais. A bancada aliada, no entanto, não deve criar problemas para a estratégia do Palácio do Planalto. Pelos menos da parte dos parlamentares cujos partidos estiverem satisfeitos com o loteamento dos cargos do primeiro escalão do segundo mandato.
Em Salvador, o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), afirmou que não há possibilidade de o vice-presidente, Marco Maciel (PFL-PE), vir a ocupar o Ministério da Defesa. Segundo Bornhausen, a indicação seria inconstitucional, pelo fato de Maciel ocupar a vice-presidência da República. O presidente do PFL se encontrou ontem pela manhã, no Palácio da Alvorada, com Fernando Henrique, para discutir a formação da nova equipe, mas negou que isso tenha incluído a negociação do posto de ministro da Defesa. E ressaltou que a escolha de ministros militares é competência exclusiva do presidente.


