Brasília Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece na viagem de uma semana à Índia e à Suíça, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, como novo gerente do governo, convocou novos e antigos ministros para uma reunião de coordenação política, na sexta-feira, comandada por ele. Dirceu convocou também um outro encontro, o primeiro ministerial com os novos integrantes do governo, para dia 6, com Lula no comando, às 11 horas, na Residência Oficial do Torto.
Durante toda esta semana, os ministros, ao invés de se reportarem ao presidente interino, José Alencar, mantiveram inúmeras reuniões com o chefe da Casa Civil que repassa, conforme tenta justificar, as orientações do presidente.
Os ministros evitam comentar a nova posição de Dirceu, mas as atribuições começam a incomodar integrantes do primeiro escalão. Alguns, extra-oficialmente, confidenciam que temem que a nomeação do ''grande gerente Dirceu'' reduza a possibilidade de acesso deles a Lula. Por isso, muitos ministros avisam que fazem questão de despachar diretamente com o presidente da República, embora não vejam dificuldade de conversar com o chefe da Casa Civil.
Nas conversas que têm mantido com os novos ministros, Dirceu tem repassado a eles os documentos de balanço de 2003 preparados pelos antecessores, a pedido de Lula. Além dos levantamentos, os relatórios contêm as metas para 2004. Depois dessa avaliação de cada parecer, os ministros devem apresentar as sugestões. Por isso, o presidente preferiu marcar a audiência ministerial para o dia 6, a fim de todos tivessem algum tempo de se inteirar dos assuntos das respectivas pastas.
Mas Lula disse, quando anunciou os novos ministros, e Dirceu tem repetido aos novos integrantes do primeiro escalão que não existe política de um ministro, mas política de governo e que é esta que seguida por todos.
Ontem, Dirceu teve mais um dia de agenda cheia. Ele voltou a se reunir com todos os novos ministros e a traçar as estratégias de trabalho em cada área para garantir a continuidade da agenda. A reunião de coordenação política, que será sexta-feira, no gabinete de Dirceu, contará com a participação dos dois novos integrantes do núcleo duro do governo: Jacques Wagner , do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social, e Aldo Rebelo, da Coordenação Política.
Os novos ministros tomaram posse ontem. Pela manhã, o ex-ministro da Educação Cristovam Buarque transmitiu o cargo ao novo titular, Tarso Genro. A ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas Especiais para as Mulheres, Emília Fernandes, transmitiu o cargo para Nilcéia Freire. O deputado petista e ex-prefeito de BH Patrus Ananias assumiu o recém-criado Ministério do Desenvolvimento Social.
O ex-ministro do Trabalho Jaques Wagner transmitiu o cargo a Ricardo Berzoini. Ex-ministro da Previdência, Berzoini transmitiu o cargo a Almir Lando (PMDB). Já o ex-ministro das Comunicações Miro Teixeira (sem partido) transmitiu a Eunício Oliveira (PMDB).

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