Ministros devem usar 'talento' na relação com Congresso
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Renata Giraldi<br>Folhapress 
Brasília - Na reunião ministerial de ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu usar o ''potencial político'' de seus ministros, aproveitando que representam diversos partidos, para aproximar o governo do Congresso. Por cerca de cinco horas, Lula tratou basicamente sobre política, relações entre Executivo e Legislativo e rapidamente a respeito da crise imobiliária nos EUA.
''É preciso capitalizar melhor o potencial de cada ministro para que atue nos (respectivos) partidos'', disse o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), designado por Lula o porta-voz oficial da reunião. ''Capitalizamos pouco o potencial político de cada ministro. É necessário que se use o talento e o potencial que cada (ministro) tem.'' Durante a reunião, no Palácio do Planalto, Lula advertiu os ministros sobre a necessidade de eles aumentarem o diálogo com os parlamentares. Também afirmou que havia ''pouca conversa política''.
Prioridades
Para o governo, as prioridades no Congresso devem ser a votação da proposta final do Orçamento Geral da União e os cortes contidos nela, além da MP (medida provisória) que aumenta a alíquota da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) e também a reforma tributária.
Em ano de eleições municipais, o empenho do governo será para concentrar as atenções no primeiro semestre de 2008. Múcio disse que em fevereiro o governo enviará a proposta de reforma tributária. Porém, antes do encaminhamento da proposta para o Congresso, Lula comandará a reunião do Conselho Político - no dia 21 de fevereiro - para discutir o assunto.
Erros
Múcio admitiu ainda que o governo cometeu erros políticos nos últimos meses. Como exemplo, ele citou o tratamento nas negociações envolvendo as nomeações políticas para cargos-chave no Executivo. Sem citar situações específicas, disse que houve demora em atender aos apelos dos aliados, e que isso não iria mais ocorrer. ''Nós cometemos um erro: demoramos com isso (com as nomeações)'', disse Múcio, informando que há ''impasses'' que envolvem burocracia e outras questões de divergências políticas. Porém, considera tudo isso normal.
Durante a reunião, o presidente também orientou seus ministros para que fosse mudado o tratamento em relação à oposição. Segundo Múcio, os partidos de oposição não devem ser tratados como ''inimigos'', mas ''adversários'', pois no futuro podem contribuir com o governo. ''Temos de acabar com essa história de quem é contra é inimigo. É adversário e pode somar (no futuro)'', afirmou o ministro.


