Brasília - Antes de entrar no Salão Leste do Palácio do Planalto para anunciar que deixaria o governo, o ainda ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, recebeu no início da noite de ontem um acalorado abraço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''Zé, se dependesse do presidente da República você continuaria na Casa Civil'', afirmou Lula, emocionado, segundo ministros presentes ao encontro.
Os funcionários da Casa Civil foram convocados às pressas pelo secretário-executivo Swedenberger Barbosa para comparecerem ao Salão Leste. Quando chegaram lá, as lâmpadas ainda estavam apagadas. José Dirceu entrou no salão ao lado da mulher, Maria Rita, e de um batalhão de ministros. Barbosa assumirá, na próxima semana, interinamente a Casa Civil enquanto Lula não definir o nome do novo titular.
Enquanto Dirceu fazia seu último discurso no cargo, ministros soluçavam e choravam. Jaques Wagner (Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social) foi o que mais chorou. Também derramaram lágrimas Aldo Rebelo (Coordenação Política) e Paulo Bernardo (Planejamento). O chefe de Gabinete Pessoal da Presidência, Gilberto Carvalho, também chorou. Já Antonio Palocci (Fazenda) ajeitou os óculos várias vezes. Mas não chorou.
A única aparição de Dirceu ao lado de Lula ontem foi numa solenidade no Salão Oeste. Durante o evento, o presidente sancionou a lei do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social. José Dirceu ficou sempre ao lado de Lula, tentando demonstrar tranquilidade.
Antes, pela manhã, Dirceu admitiu a parlamentares que estaria voltando mesmo à Câmara. ''Tô pronto para ir para lá'', teria dito. No discurso, Lula citou duas vezes o ministro da Casa Civil. No início da fala, quando chamou Dirceu de ''querido companheiro'' e, depois, ao ser informado que um amigo sindicalista, conhecido por Topo Gigio, estava presente. ''Quero cumprimentar o presidente da CUT, Luiz Marinho, que trouxe com ele o Topo Gigio que no mínimo veio aqui para te visitar, viu Zé'', comentou Lula.

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