Ministros abrem espaço na agenda para subir em palanques
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terça-feira, 22 de julho de 2008
Luciana Nunes Leale Vera Rosa<br>Agência Estado 
Brasília - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, vai tirar dez dias de férias em agosto para se dedicar à campanha da mulher, Gleisi Hoffman, candidata do PT à Prefeitura de Curitiba. Em setembro, tira os 20 dias restantes para ajudar na coordenação da reta final da disputa.
Com o sinal verde do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na última segunda-feira autorizou os auxiliares a fazerem campanha, desde que fora do horário do expediente, os ministros começam a preparar as estratégias e as agendas para percorrer seus Estados em busca de votos para os correligionários. Lula fez apenas uma recomendação: falem bem de seus candidatos, mas evitem ataques aos adversários locais que, em nível nacional, são aliados do governo.
O titular da pasta das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, do PTB, é um dos mais preocupados com possíveis sequelas políticas por causa da atuação dos colegas em campanhas municipais. ''Gostaria que os ministros fizessem campanha apenas em seus Estados, mas estou ficando cada vez mais isolado nessa posição.''
Até o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), José Antonio Dias Toffoli, que elaborou uma cartilha de conduta dos agentes públicos na campanha, vai virar cabo eleitoral este ano. Em Marília, sua cidade natal, dois irmãos do ministro estão na disputa: José Ticiano é candidato a vice-prefeito e José Luiz, a vereador. ''Vou ajudar, mas é só uma questão familiar'', diz Toffoli.
O baiano Geddel Vieira Lima, ministro da Integração Nacional, foi um importante articulador da candidatura do prefeito de Salvador, João Henrique, do PMDB, à reeleição e agora trabalha pelo engajamento de outros colegas na campanha. Salvador é um dos vários exemplos de capital onde os governistas não se entenderam. Embora tenha inicialmente costurado o apoio a João Henrique, o PT optou pela candidatura do deputado Walter Pinheiro.
Como único ministro do PDT, o titular do Trabalho, Carlos Lupi, estará não só no Rio, onde pedirá votos para o deputado estadual pedetista Paulo Ramos, como em cidades de São Paulo e Paraná.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, vive situação atípica. A deputada Luciana Genro disputa a Prefeitura de Porto Alegre pelo oposicionista PSOL. O ministro, no entanto, estará no palanque da candidata do PT, a deputada Maria do Rosário.
Em Porto Alegre, outra deputada, Manuela D'Ávila, é candidata à prefeitura, pelo PC do B. Em seu palanque não faltará o companheiro de partido e ministro do Esporte, Orlando Silva.


