Ministro suspeito de integrar máfia pede novo afastamento
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quarta-feira, 02 de maio de 2007
Andreza Matais<br>Folhapress 
Brasília - O ministro Paulo Medina, investigado como suspeito de integrar suposta máfia que negociava sentenças judiciais em favor dos bingos, pediu ontem novo afastamento ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele já está afastado temporariamente do STJ depois de alegar problemas médicos, sob força de licença que só dura até o dia 18 deste mês.
O segundo pedido de afastamento foi feito após a revelação de novas escutas feitas pela Polícia Federal que mostrariam Medina antecipando seu voto e orientando a defesa a agir em processos que tramitavam no STJ.
De acordo com matéria do jornal ''O Globo'', Medina teria orientado em dezembro passado o advogado Paulo Eduardo de Almeida Mello sobre como agir em relação a um pedido de habeas corpus em favor do diretor do Minas Tênis Clube, Fernando Furtado Ferreira - acusado de usar carteira de policial falsa em Minas Gerais.
De acordo com as gravações, o ministro também teria alertado o advogado sobre a importância de que o réu fizesse a sustentação oral na sessão de julgamento no STJ.
O pedido anterior de afastamento foi feito logo após o nome de Medina ser vinculado à suposta quadrilha especializada na compra de sentenças judiciais para beneficiar a máfia dos jogos - desarticulada pela PF no dia 13 de abril durante a Operação Hurricane (furacão, em inglês).
Medina, segundo a PF e a Procuradoria Geral da República, pode ter negociado por R$ 1 milhão, por meio de seu irmão Virgílio (que permanece preso), uma liminar concedida por ele em 2006 (e depois cassada pelo STF). Com essa liminar, foram liberadas 900 máquinas caça-níqueis que haviam sido apreendidas em Niterói (RJ). Medina tem 15 dias para apresentar ao STF explicações e sua defesa no caso.
Segundo o advogado do magistrado, Antonio Carlos de Almeida Castro, Medina não vai pedir aposentadoria, pois esta opção seria um desrespeito ao Supremo Tribunal Federal (STF). ''O ministro não quer se furtar ao julgamento do Supremo, uma vez que a denúncia está lá'', disse.
Se Medina se aposentar, seu caso passaria para a primeira instância da Justiça. Porém, como há no mesmo inquérito acusações contra juízes federais, que só podem ser julgados pelo STJ, Medina poderá ser investigado e julgado pelos atuais colegas de trabalho.
Medina teria se reunido com auxiliares e familiares segunda-feira à noite para decidir sobre um pedido de licença que deverá ser encaminhado ao tribunal. Ele deseja obter autorização para afastar-se temporariamente de suas funções, mas quer continuar recebendo normalmente o salário, que é de R$ 23,2 mil mensais. O motivo é que o contracheque é sua única fonte de rendimentos.


