Ministro sugere prestígio à PF
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sexta-feira, 17 de novembro de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - De saída confirmada (por ele mesmo) do Ministério da Justiça, Márcio Thomaz Bastos espera que o seu sucessor aprofunde, principalmente, o Sistema Único de Segurança Pública, continue prestigiando o trabalho da Polícia Federal e, sobretudo, mantenha a independência da Procuradoria Geral da República.
''Estamos em processo de transição e vou esperar para ver quem será o sucessor escolhido pelo presidente. Mas não podemos assistir a um retrocesso de ter o procurador-geral da República que seja nomeado sucessivamente, de tal modo, que ele perca a relação de distância e independência que ele deve ter do Governo'', acredita Thomaz Bastos, que participou, anteontem à noite, da abertura do XIX Congresso Brasileiro de Magistrados, em Curitiba.
O ministro comentou a pesquisa feita pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) que revela o pensamento dos juízes. Sobre o fato da corrupção ser considerada o maior entrave para o desenvolvimento do País, segundo pesquisa da AMB, o ministro defendeu o governo apontando a realização, em quatro anos, de 300 operações da Polícia Federal, das quais 200 foram desbaratamento de operações de corrupção. ''Eu acho que corrupção é uma coisa séria, é uma praga, mas pior que a corrupção é a corrupção impune. Acredito que o combate a impunidade ocorreu dentro de um projeto de governo, que deu certo'', disse.
''Basta ver o número de gente presa e processada, todo mês, toda semana, durante quatro anos. Travamos uma grande luta contra a corrupção. Nunca os organismos encarregados disso, como a PF, a Controladoria da União e o Ministério Público Federal (MPF) tiveram tanta indepêndencia'', disse Bastos, acrescentando que os procuradores do MPF foram nomeados pela própria classe. O ministro também negou que as pessoas presas nas operações estariam sendo soltas porque a PF tem dificuldades em reunir provas para indiciá-las.
''A Polícia Federal prende processualmente, é uma prisão temporária, para fechar o inquérito. Isso foi feito em todos os casos, inclusive, a grande maioria já está com denúncias e processos criminais no Poder Judiciário. É só olhar, temos estatísticas disso'' esclareceu Thomaz Bastos.


