Ministro se antecipa e pede demissão
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sábado, 10 de janeiro de 2004
Agência Folha 
São Paulo O ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral (PSB), um dos nomes mais cotados para sair na reforma ministerial que o governo pretende realizar até a próxima semana para acomodar o PMDB, enviou ontem carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que põe o cargo à disposição. No documento, Amaral diz que trabalhou ''visando à criação de empregos, a redução das desigualdades regionais e a inclusão social''.
A decisão de Amaral foi comunicada anteontem à noite ao presidente nacional do PSB, deputado Miguel Arraes (PE).
A substituição no comando do ministério já havia sido decidida pelo presidente Lula, que deve indicar o líder do PSB na Câmara, deputado Eduardo Campos (PE), para o cargo. Campos, neto de Arraes, já foi sondado pelo ministro da Casa Civil, José Dirceu. A atitude de Amaral facilita a ação do governo, pois evita constrangimento no partido para indicador o substituto.
Sem nunca ter ocupado qualquer cargo político antes de assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia, o professor Roberto Amaral, 62, foi a solução encontrada pelo PT para atender a Anthony Garotinho (então PSB, hoje PMDB), ex-governador do Rio (1999 a abril de 2002), e, ao mesmo tempo, a Miguel Arraes, presidente nacional do PSB.
No final de 2002, Amaral foi encarregado pelo PSB de negociar com o então presidente eleito a indicação de um ministro do partido. Amaral indicou a si próprio, vendendo-se como ligado a Garotinho e a Arraes. No entanto, os dois grupos depois disseram que ele era apenas candidato de si mesmo.
Amaral criou mal-estar já na primeira semana do governo Lula, quando deu entrevista ao site da rede britânica BBC em que dava a entender que o governo brasileiro defendia a construção da bomba atômica.


