Brasília - O governo brasileiro considerou ''suficientes'' as explicações dadas pelo jornalista do ''The New York Times'', Larry Rohter, sobre a reportagem envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e tornou insubsistente a portaria que cancelou o seu visto de permanência. Em um despacho dado no final da tarde de ontem, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, aceitou todos os argumentos de Rohter, feitos por meio de requerimento, negociado pelo próprio governo, na sexta-feira passada.
Pela manhã, durante almoço na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entidade da qual já foi presidente, Thomaz Bastos disse que o governo federal considerou encerrada a crise desencadeada pela publicação no ''The New York Times'', do texto de Rother sobre o suposto hábito de Lula consumir bebidas alcoólicas. O presidente tomou a decisão de cancelar o visto do jornalistas, que é casado com uma brasileira, sem consultar o ministro da Justiça, que estava em Berna, na Suíça.
Thomaz Bastos foi apanhado de surpresa e ainda em Berna negociou uma saída política para o fato, com o próprio ''Times'' e com advogados do jornalista, chegando até mesmo a sugerir o teor do requerimento de Rohter. Na ocasião, chegou a falar em sua saída do governo, já que tratava-se de um assunto de sua pasta. Ontem, o ministro deu sinais de que permanecerá no governo e assinou a revogação do ato que havia cassado o visto do autor do texto.
''O ministro deixou claro que o aspecto 'The New York Times' e o jornalista Larry está definitivamente encerrado'', afirmou o presidente nacional da OAB, Roberto Busato, depois do almoço com Thomaz Bastos na sede da entidade, em Brasília, e com outros ex-dirigentes da OAB e conselheiros. Segundo Busato, o ministro da Justiça demonstrou que o governo não pretende processar judicialmente o diário ou o correspondente do jornal norte-americano.
O ministro Thomaz Bastos não quis conceder entrevista aos jornalistas que o aguardavam na sede OAB. Para tentar escapar da abordagem, ele se dirigiu para o canto oposto ao que estavam os repórteres, errando de lado e se defrontando com a porta de um banheiro. Sem saída, ele teve de retornar ao local no qual estavam os repórteres, porém não quis falar.
Mas, segundo Busato, durante o almoço o ministro conversou sobre o polêmico episódio e deu sinais de que vai continuar no governo. ''O ministro me pareceu muito ministro. Ele me pareceu muito firme na posição de continuar ministro. Acredito que essa hipótese (saída do governo) não existe'', comentou Busato.
No despacho aceitando a reconsideração de Rohter, Bastos assinala o fato de o repórter ter alegado que jamais teve a intenção de ofender a honra do presidente, reafirmado afeto pelo País, que o artigo escrito limitava-se a veicular comentários e que o texto foi traduzido erradamente. Os motivos foram os mesmos dados na sexta-feira pelo jornalista, em documento enviado ao Ministério da Justiça por seus advogados.

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