O ministro escolhido para compor a estrutura do segundo mandato cujo partido não apoiar o governo e suas ações e interesses no Congresso, com votos, nas medidas consideradas fundamentais, como o ajuste fiscal, por exemplo, será imediatamente demitido.
O aviso foi dado ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, durante entrevista coletiva logo em seguida ao anúncio da nova equipe do primeiro escalação para o segundo mandato, na qual FHC fez questão de declarar que cansou das insinuações de que troca votos no Congresso por nomeações para cargos políticos.
‘‘Que ninguém espere que exista disposição no Palácio do Planalto de fazer nomeações para que se vote’’ conforme os interesses do governo, disse o presidente, ao salientar que ‘‘o Brasil cansou desse estilo’’ e é preciso mudar urgentemente. ‘‘E eu também cansei’’, prosseguiu ele acentuando que ‘‘não há o que explique não ter voto estando no governo’’.
‘‘Eu demito’’, disse ele, deixando claro que vai cobrar fidelidade dos partidos e que esta vai ser ‘‘a condicionante’’ para o ministro-parlamentar permanecer no cargo.
Para demonstrar a sua disposição de assegurar a aprovação das medidas de ajuste fiscal, o presidente comunicou que vai encaminhar ainda em janeiro ao Congresso uma nova Medida Provisória instituindo contribuição previdenciária para aposentados e pensionistas da União, com modificações, já que a proposta original foi derrubada pelos parlamentares no mês passado, pela segunda vez.
O presidente voltou a apresentar números para falar dos disparates dos valores pagos a aposentadorias e classificou esses benefícios como ‘‘incompreensíveis’’. Ao reafirmar que seu novo governo, que se inicia dia 1º, tem um compromisso inicial fundamental com o ajuste fiscal, Fernando Henrique informou que entregará para os ministros a missão de conversar com o Congresso.
‘‘O presidente se ocupará, na maior parte de seu tempo, na gestão da coisa pública, na gestão econômica e na gestão das políticas especiais’’, reiterou Fernando Henrique ao informar aos jornalistas que não espera estar se ocupando o tempo todo com o desenvolvimento do Congresso, ‘‘que tem respondido aos anseios do Brasil’’.
O presidente Fernando Henrique, que tem defendido, ao longo dos seus discursos negociação com a oposição, disse que esse diálogo não será conduzido por ele, mas pelos líderes dos partidos que apóiam o governo.
Ele comentou a conversa que manteve com o presidente do PT, Luis Inácio Lula da Silva. Para o presidente, quando o assunto é de interesse nacional, não há por que não haver diálogo. E justificou: ‘‘O povo apoiou meu programa de governo, mas não quer dizer que não se possa corrigir o rumo aqui e ali’’.
O presidente reiterou sua disposição para ‘‘o mais amplo propósito de diálogo com todas as forças da sociedade’’, mas admitiu que isso possa ter desagradado a alguns. Ele lembrou, no entanto, que esta é a vontade do povo, manifestada nas urnas, e significa que o importante é trabalhar pelo Brasil.
RegimentoApós lembrar que o Brasil precisa de modificações e tem pressa, o presidente se queixou do regimento interno da Câmara Federal e do Senado, que impõem a tramitação lenta das matérias que recebe. Para ele, as mudanças no regimento só podem ser feitas na próxima legislatura, que será iniciada em fevereiro.
Fernando Henrique também insistiu na necessidade de apoio dos partidos às propostas do governo. ‘‘Espero que os partidos que realmente apóiem o governo, que apóiem, e o modo de apoiar é votar no Congresso, além de trabalhar no governo’’, insistiu o presidente.
O presidente salientou ainda que quem não estiver a favor do ajuste fiscal estará dificultando a baixa dos juros e o desenvolvimento do Brasil, que é o principal objetivo do governo.
Fernando Henrique Cardoso fez questão de elogiar a atuação que vem verificando dos parlamentares no Congresso. ‘‘Dificilmente em algum outro período da história do Brasil, o Congresso terá aprovado tantas leis importantes como aconteceu no meu governo’’, disse o presidente, com o que traduziu sua expectativa de que esse comportamento tenha prosseguimento dentro do Congresso. FHC também acrescentou que hoje já existe maior consciência da necessidade de transformação.

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