Ministro prevê novas greves
JUDICIÁRIO Ministro prevê novas greves Dorico da SilvaHumberto Barros: Estão reduzindo a questão do Judiciário ao salário Telma Elorza De Londrina O Brasil tem apenas um embrião do que seria o verdadeiro Poder Judiciário, cujo modelo é o americano. Mas só será possível alcançá-lo a partir do momento em quem houver reformas, não só no nosso sistema judiciário, mas principalmente cultural. A análise é do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes Barros, que esteve ontem em Londrina ministrando aula magna para o curso de Direito da Universidade Norte do Paraná (Unopar). O ministro proferiu a palestra Brasil 500 anos de Justiça, ontem à noite, no auditório do campus de Londrina. Para o ministro, o Estado hoje, no Brasil, não faz Justiça, faz aplicação do direito. A função do judiciário é aplicar as regras de convivência estabelecidas para se chegar o mais perto possível da Justiça. E isto é compreensível. Embora se tenha instalado o Poder Judiciário no Brasil no fim de Império, o Estado Novo, a ditadura militar e os Atos Institucionais atrasaram a nossa história. Temos um modelo instalado há cerca de 50 anos. Somente a partir de agora é que podemos começar a caminhar para uma evolução,disse. O ministro afirma que a polêmica em torno dos salários dos juízes e a greve que a categoria deflagrou em alguns estados brasileiros para forçar a elevação dos rendimentos está sendo tratada de forma simplista. Estão reduzindo a questão do Judiciário ao salário, disse. Porém, segundo ele, o movimento foi justo. Os juízes são uma categoria assalariada como outra qualquer, que pretende receber uma renumeração justa por seu trabalho. Segundo ele, a greve e o concedimento do auxílio-moradia (no valor de R$3 mil) tiveram uma repercussão negativa. Mas a greve foi a demonstração de força de uma categoria organizada. O movimento dos juízes foi o primeiro de uma série que pode vir aí pela frente. Quanto ao auxílio-moradia, é um auxílio que todos os parlamentares têm e que ninguém questionou até agora. Segundo o ministro, o teto de R$ 12 mil não significa que todos os juízes irão receber esta valor. É um valor reservado aos membros do Supremo Tribunal Federal. Não sei se é o justo mas é necessário. Um juiz não consegue conciliar outras atividades para aumentar a renda de sua família. Eu estudei, no ano passado, mais de oito mil processos. Dá tempo para manter outra atividade?, questionou. Quanto às irregularidades detectadas pela CPI do Judiciário, o ministro disse que foi feito mais sensacionalismo do que existe na realidade. A CPI apresentou três ou quatro casos apenas. Fez tanto alarde mas caiu no vazio. Ele, porém, não descarta erros no judiciário. Se o juiz fosse santo não precisaria discutir salários, observou.





