Ministro pede que PF se explique sobre notícia
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Agência Estado 
O ministro Pedro Malan cobrou ontem da Polícia Federal a informação de que ele sabia das operações de socorro aos bancos Marka e FonteCindam, conforme publicaram o jornal Folha de S.Paulo e revista IstoÉ. As informações são atribuídas a fontes da Polícia Federal. O ministro enviou ofício ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, pedindo que a PF confirme ou desminta a acusação que me foi feita pelas duas publicações através de seu informante anônimo, diz a carta.
Caso a Polícia Federal confirme oficialmente a sua convicção (de que Malan sabia da operação), peço-lhe que a instrua a divulgar imediatamente as evidências e as provas em que se baseia ou se baseou para transmitir à imprensa uma conclusão, divulgada antes mesmo de encerradas as investigações, ou, pior, enquanto depoimentos ainda estavam sendo prestados por funcionários do Banco Central, diz a carta.
Malan justifica que aparentemente, a base para a convicção expressada com tanta certeza é o fato de que esteve no BC na manhã do dia 15 de janeiro. O ministro conta que esteve no local, acompanhado pelo então secretário de Política Econômica, Amaury Bier, discutindo exclusivamente o regime cambial brasileiro e as alternativas para sua modificação, dadas as flagrantes dificuldades de manutenção do sistema que vinha funcionando desde 13 de janeiro.
Em entrevista ontem ao programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo, Malan afirmou que só soube do socorro aos dois bancos cerca de duas semanas depois de ocorrida. Questionado sobre se autorizaria a operação, caso fosse comunicado previamente, o ministro não respondeu. Essa questão é delicada, comentou.
Malan alegou que estava brincando quando disse que só contaria a verdade sobre a saída de Francisco Lopes do Banco Central em seu livro de memórias, a ser publicado dez anos após sua morte. Eu me arrependi de haver feito essa brincadeira e lamento que tenha sido usada com o objetivo de mostrar que há coisas tão graves, mas tão graves que só podem ser dadas ao conhecimento público depois da minha morte, e não era essa a minha intenção, declarou.


