Belo Horizonte - O secretário nacional dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, disse ontem que espera que outros militares que combateram a guerrilha do PC do B no sul do Pará e norte de Tocantins, na primeira metade da década de 70, dêem mais informações sobre os locais onde podem ser encontrados os corpos dos guerrilheiros desaparecidos. Nilmário classificou de ''dificílima'' e uma ''busca sofrida'' a procura por corpos de integrantes da guerrilha do Araguaia, que teriam sido executados e enterrados na própria base militar do Exército, nos arredores de Xambioá, no Tocantins.
Na semana passada, uma comissão técnica iniciou escavações em uma área de 500 metros quadrados, onde, de acordo com relato de soldados, foram enterrados quatro guerrilheiros. ''O terreno onde foi a base militar é um tremendo matagal, quase não tem referência'', observou o secretário, salientando que um segundo local já foi demarcado.
Para Nilmário, a colaboração dos militares é um ''reflexo da mudança de atitude das Forças Armadas, que hoje, junto com o governo, junto com o Estado, junto com a sociedade, querem que esse assunto seja resolvido de uma vez por todas, devolvendo os restos mortais às famílias, esclarecendo esse segredo sobre os desaparecidos políticos, no afã da reconciliação nacional''.
O secretário disse que espera e ''tem certeza'' que surgirão novas informações. ''Em decorrência desse clima, esses militares já não sentem mais temor de represália'', avaliou ele.
Sobre a possível transferência dos corpos, que, com o término da guerrilha, teriam sido desenterrados e cremados em outro local, Nilmário disse que já tinha informações sobre uma ''operação limpeza''. ''Mesmo que isso tenha acontecido, se nós acharmos as covas, lá haverá vestígios de que uma pessoa esteve enterrada ali. Isso é um resgate importante da história'', destacou o ministro.

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