Presente ontem em Londrina para uma pauta que se estendeu durante quase todo o dia, o ministro do Planejamento Paulo Bernardo concedeu à tarde uma entrevista coletiva em que tratou de assuntos tão diversos quanto o porto seco, o escândalo do chamado mensalão e as eleições de 2006. Mas o que definiu a linha das declarações foi a negativa de que tenha enviado dinheiro não contabilizado à cidade para a reeleição do prefeito Nedson Micheleti.
Em julho, a ex-assessora financeira da campanha do PT em Londrina, Soraya Garcia, afirmou em entrevista que o deputado estadual André Vargas e Bernardo, então deputado federal, seriam fornecedores de receitas não declaradas do grupo de Nedson. O ministro afirmou que sequer conheceu Soraya, tampouco o papel que ela desempenhava. ''Quem acusa tem que mostrar, que provar, não aceito ser tratado como bandido, eu sou ministro, deputado federal, fui secretário Fazenda em Londrina'', lembrou, citando que assumiu este último posto com uma dívida de quase R$ 530 milhões.
Diversas vezes Bernardo salientou que as únicas menções a seu nome feitas pela ex-assessora da campanha constam de entrevistas à imprensa, mas não de depoimentos à Polícia Federal ou ao Ministério Público (MP) Eleitoral. ''As declarações dela são completamente falsas, infames, caluniosas. Acompanhei a campanha aqui, assim como em Ibiporã, Borrazópolis, e vinha toda semana. Quer dizer que cada vez que eu aparecia ninguém ficava pobre?'', ironizou. Soraya afirmou que ''sempre que a coordenação de campanha reclama de falta de verba, 'sossegava' no dia seguinte às visitas de Bernardo e Vargas''. A declaração consta do depoimento prestado à PF no dia 1º de agosto.
Sobre as denúncias de mensalão supostamente pago à base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bernardo declarou que não considera a hipótese ''impossível''. Admitiu ter mudado alguns poscionamentos, mas pediu que a crise seja tratada com tranquilidade dentro e fora do governo. ''São denúncias ainda sendo investigadas. Eu ia por a mão no fogo, agora não ponho mais, vou esperar para ver. Temos três CPIs em trabalho avançado, precisamos de paciência para que elas nos dêem um resultado'', completou.
O ministro evitou comentar uma possível tentativa reeleição de Lula, citando o próprio presidente que, esta semana, não confirmou se é candidato. ''Há um desgaste enorme, até natural, estamos 'apanhando' há mais de 100 dias. E isso certamente vai nos prejudicar no pleito de 2006, mas creio que, com ações, dá para recuperar o prejuízo'', considerou.
Ainda no tema eleições-2006, Bernardo garantiu, taxativo, que não é candidato ao governo do Estado. Uma nova aliança com o PMDB? Ele acredita que não. ''Acho que a tendência, o desejo da imensa maioria dos nossos filiados é que tenhamos candidatura própria, mas isso é para ser definido apenas em março, abril do ano que vem'', resumiu.
Além do almoço com empresários de Londrina, Bernardo ainda participou da inauguração das obras de readequação do espaço físico da Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O evento controu com a participação de deputados, do vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), e do secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi. Ao todo, são 855 metros quadrados com um acervo bibliográfico de 50 mil volumes para atender três centros de estudo da instituição.
Antes, ele anunciou a liberação de cerca de R$ 5 milhões para obras de infra-estrutura urbana na rua Goiás (duplicação em um trecho) e asfaltamento no Jardi Columbia (Zona Oeste). Segundo o prefeito Nedson, os recursos já estão empenhados e ''no decorrer dos próximos dias'' será aberta licitação.

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