Ministro manda PF investigar IRB
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domingo, 22 de maio de 2005
Eduardo Scolese<br> Folhapress 
Brasília - Momentos antes de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcar para a viagem de sete dias ao Japão e à Coréia do Sul, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) anunciou ontem a abertura de um inquérito na Polícia Federal para investigar denúncias de corrupção no IRB (Instituto de Resseguros do Brasil).
O novo inquérito seria uma espécie de desmembramento de outra investigação que já está em andamento: a que apura supostos casos de corrupção nos Correios. O ministro da Justiça rotulou o atual momento do inquérito dos Correios, aberto há uma semana, de ''delicado'' e ''agudo'', admitindo ainda a possibilidade de ligação do atual caso com a Operação Vampiro.
Nesta semana, os três principais alvos da investigação sobre um suposto esquema de corrupção nos Correios deverão ser ouvidos pela PF. Serão convocados para depor o ex-diretor do Decam (Departamento de Contratação e Administração de Material) Maurício Marinho, o ex-diretor de Administração Antônio Osório Batista, filiado ao PTB, e seu ex-assessor-executivo Fernando Leite de Godoy. Bastos não quis detalhar a investigação sobre o IRB.
Segundo reportagem de ''Veja'' desta semana, o deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, havia pedido R$ 400 mil por mês a Lídio Duarte, então presidente do IRB. Duarte pediu demissão há dois meses, de acordo com a revista, por não suportar a pressão dos petebistas. Tanto no caso dos Correios como no do IRB, as denúncias envolvem diretamente o PTB, partido que tem indicações em cargos estratégicos das duas empresas.
O IRB, uma sociedade de economia mista, foi criado em 1939, graças ao então presidente Getúlio Vargas. O objetivo é regular o resseguro, além de promover o desenvolvimento das operações de seguros no País. No início do ano, o governo admitiu que pretende privatizar o instituto. O Tesouro Nacional detém 51% das ações, e as seguradoras, 49%.
O resseguro é uma operação realizada quando uma companhia assume um contrato de seguro superior à sua capacidade financeira. No resseguro, ela repassa esse risco, parcial ou integral, a outra companhia.
Bastos também citou a possibilidade de ligações entre o caso dos Correios e a Operação Vampiro, que no ano passado apurou esquemas de propinas no Ministério da Saúde. ''Isso está sendo investigado.''
Reportagem de ontem da ''Folha de S.Paulo'' mostrou que a empresa ABC Data Saúde, consultada pelos Correios para licitação suspensa na semana passada por indícios de fraude, também foi investigada no caso dos Vampiros.
Na conversa de ontem, Bastos disse ter ouvido de Lula o pedido de não olhar partidos nem ministérios durante as investigações do caso dos Correios. ''O presidente ainda me reiterou hoje (ontem) que nós vamos fazer uma investigação sem olhar para os partidos, sem olhar para os ministérios e sem olhar para quem quer que seja.'' Sobre as investigações, prosseguiu: ''E passei ao presidente aquilo que eu podia dizer, porque esse inquérito corre em segredo de Justiça. Esse é um inquérito que está numa fase delicada e aguda de planejamento''.


