Brasília - O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, entregou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um relatório sobre a atuação da Polícia Federal (PF) no combate à corrupção. Desde o caso Waldomiro Diniz, que veio à tona em fevereiro de 2004, até o escândalo do ''mensalão'', a PF realizou 13 inquéritos para apurar denúncias. Foram interrogadas mais de 250 acusados e indiciados pouco mais de 30. Nenhum deles está preso, embora tenha havido algumas poucas prisões temporárias, como a do ex-assessor parlamentar Adalberto Vieira da Silva, detido em junho com US$ 100 mil dólares sob a cueca e mantido na cadeia durante dois dias.
Acuado pela crise política, o governo divulga esses dados para mostrar que não tem sido omisso frente à questão e retomar a bandeira da moralidade pública. ''A PF está fazendo um trabalho sério, ouvindo todo mundo, seguindo pistas, fazendo perícias, produzindo provas'', afirmou o ministro.
A leitura do relatório, porém, permite concluir que nenhum dos investigados foi sequer denunciado à Justiça pelo Ministério Público (MP).
Como Diniz, ex-subchefe da Assessoria Parlamentar da Casa Civil, flagrado numa fita de vídeo negociando propina com o empresário de jogos Carlos Ramos, o ''Carlinhos Cachoeira'', Silva e os demais investigados nesses inquéritos respondem às acusações em liberdade. Aberto em 16 de fevereiro de 2004, o inquérito do caso Diniz arrasta-se há um ano e meio.
Antes da audiência com Lula, Bastos informou que o indiciamento dos envolvidos nas denúncias do ''mensalão'' será feito no momento oportuno, em ato articulado da PF com a Justiça e o MP. O ministro disse que entende a ansiedade da imprensa e da opinião pública em ver logo punidos os culpados, mas ressaltou que a PF trabalha com produção de provas. ''Uma coisa é o julgamento político do Congresso, mais rápido. Outra é a investigação policial, que tem um tempo mais longo, envolve perícias, produção de provas e a supervisão do STF'', disse.
Bastos afirmou que os políticos punidos pelo Legislativo nas três comissões parlamentares de inquérito (CPIs) que tratam de corrupção no País também responderão a processo criminal, depois de investigados pela PF. ''Pela primeira vez, vamos ter a oportunidade no Brasil de construir, efetivamente, um trabalho em que não seja só o julgamento político do Congresso, nem só o julgamento judicial'', afirmou. Ele disse que, desta vez, todos os envolvidos serão submetidos aos dois julgamentos.
Entre os investigados nos inquéritos da PF, há membros do primeiro escalão do governo Lula, como o ex-chefe da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP), acusado de ser mentor do ''mensalão'', o publicitário Duda Mendonça e membros da cúpula do PT, como o ex-presidente nacional do partido José Genoino e o ex-secretário nacional de Finanças e Planejamento Delúbio Soares.
O ministro pediu tranquilidade ao País e assegurou que nenhum culpado ficará impune, apesar do trâmite demorado dos inquéritos. ''Posso dizer que a investigação (da PF) avançou bastante, indiciou muita gente, já prendeu, pediu prisões e quebras de sigilos, e o trabalho caminha num ritmo adequado'', afirmou.

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