Curitiba - O governador Roberto Requião repudiou ontem as declarações dadas pelo tenente-coronel Valdir Copetti Neves de que integrantes do primeiro escalão do governo estadual estariam envolvidos com uso de entorpecentes e desvio de recursos de assentamentos para lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Durante a reunião semanal do secretariado, Requião enalteceu o trabalho policial de desmantelamento de uma quadrilha composta por pára-militares. ''Era uma quadrilha de bandidos, exterminadores, pára-militares e que queriam transformar o nosso Estado em uma espécie de Pará'', argumentou o governador.
Requião contou que a suposta quadrilha estava sendo monitorada há seis meses pelo serviço de inteligência do governo do Estado (quem comanda o serviço é o delegado Harry Herbert, citado por Neves no depoimento à CPMI da Terra) e pela Polícia Federal. ''O pessoal estava grampeado há seis meses, mas com autorização judicial. Tudo foi feito dentro da ordem e da lei porque sabíamos que o grupo era formado para exterminar e matar. Não podíamos deixar que um oficial comandasse uma ação criminosa, como a que estava sendo planejada no Paraná'', argumentou ele.
Requião contou que a suposta quadrilha chefiada por Neves iria promover uma ação criminosa na região de Ponta Grossa um dia depois da prisão deles por policiais federais e militares. Apesar de criticar a ação de Neves, o oficial foi homem de confiança do atual governador durante anos. Ele chefiou operações conhecidas como as investigações do assassinato do menino Evandro Ramos Caetano, de sete anos, num suposto ritual de magia negra. Foi ele o autor da prisão do empresário Joarez França Costa, conhecido como ''Caboclinho'', durante a passagem da CPI do Narcotráfico pelo Paraná (esta composta pelo então deputado federal Padre Roque Zimmermann, do PT).
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, se solidarizou com o secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari (também citado por Neves no depoimento à CPMI). ''Sabemos a diferença entre o direito de manifestação democrática e a violência. Nossa tarefa é garantir o direito de opinião e de manifestação, mas sem qualquer tipo de violência como justificativa para solução de conflitos. Atos criminosos têm que ser detidos. Não acho que os atos criminosos, como este, possam se justificar pela lentidão da reforma agrária'', pontuou o ministro Rossetto.
Delazari denunciou ainda que a quadrilha que teria sido desbaratada no Paraná mantinha um sistema de inteligência capaz de infiltrar pessoas dentro dos acampamentos e dos movimentos sociais. A ação, que teria sido evitada, forjaria um conflito armado entre os próprios sem-terra.

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