Brasília - O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, enfrentou ontem um difícil teste da tramitação, na Câmara dos Deputados, do projeto de reforma sindical proposto pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sua tentativa de expor os principais pontos da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) mal foi ouvida pelos parlamentares que acompanhavam a audiência pública na Comissão do Trabalho. Entre vaias, palavras de ordem e gritos de ''pelego!'', ''mentira!'' e ''vendido!'', a platéia de sindicalistas contrários às mudanças tumultuou a sessão, que somente não foi suspensa por interferência de alguns deputados.
Nas quatro horas da sessão, Berzoini acabou abandonado até mesmo pelas centrais que apóiam a reforma - a Força Sindical e a parcela majoritária da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A CUT esteve representada por vários membros da executiva nacional, entre os quais o seu vice-presidente, Wagner Gomes, que é ligado ao PC do B. O próximo ''round'' para Berzoini será a audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o primeiro passo da tramitação da PEC no Congresso. ''Nenhuma PEC que entra no Congresso Nacional sai do mesmo jeito'', insistiu o ministro. ''Assumimos o compromisso de, havendo qualquer alteração, retomarmos os debates do fórum tripartite'', completou, ao referir-se ao Fórum Nacional do Trabalho no qual o projeto foi debatido entre representantes dos sindicatos, dos empresários e do governo.
Berzoini ingressou no plenário 2 das comissões por volta de 10h30, com meia hora de atraso. Neste momento, a platéia de militantes sindicais da CGT, do PSTU, do PC do B já ocupava boa parte da sala e, em pé, gritava refrões como ''Berzoini, seu pelegão, essa reforma é coisa de patrão''. Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical, manteve-se quieto. Luiz Marinho, presidente da CUT, nem sequer compareceu à sessão. Ao longo de mais meia hora, foi impossível o início da exposição do ministro. Depois de assistir à negociação entre o presidente da comissão, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), os demais parlamentares e a platéia para que os representantes sindicais pudessem também apresentar perguntas, Berzoini conseguiu começar sua exposição às 11h08.
Por várias vezes, foi interrompido pelas vaias, gritos e também pelo início de um bate-boca entre o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Rocha (PA), e o líder do governo na Câmara, deputado Professor Luizinho (PT-SP), de um lado, e os sindicalistas Antonio Carlos Reis, o Salim, presidente da CGT, e Jorge Luís Martins, da CUT, de outro.
O ministro tentou defender que a PEC foi o resultado de dois anos de debates entre os representantes do Fórum Nacional do Trabalho e que todas as entidades sindicais tiveram oportunidade de apresentar sua posições. ''Mentira'', gritava a platéia. Berzoini esforçou-se para demonstrar tranquilidade e, em algumas vezes, chegou a sorrir nervosamente para alguns deputados, sem condições de prosseguir.

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