Agência Estado
De São Paulo
Alcides Tápias é considerado nos meios empresariais como um ‘‘desenvolvimentista’’, pois ‘‘está sempre pensado em avançar, em crescer’’. Isto já ocorria quando Tápias era vice-presidente do Bradesco, de acordo com o que narram os ex-colegas da Cidade de Deus, onde está a sede da instituição.
Como vice-presidente do Bradesco, Tápias era um dos nomes mais cotados para ocupar o posto de presidente da instituição, sucedendo Lázaro de Mello Brandão. Mas Brandão, escolhido ainda pelo fundador do banco, Amador Aguiar, para o cargo, preferiu indicar o nome de Márcio Cypriano para o suceder.
Tápias nunca foi de dar entrevistas. Sempre foi discreto. Mora na zona leste de São Paulo, no Jardim Anália Franco, e, na tradição dos veteranos executivos do Bradesco, detesta a ostentação. É torcedor do Corinthians e acompanha muito os jogos.
Tápias trabalhou na expansão da Camargo Corrêa. Sob sua gestão, o grupo comprou a Cimento Cauê, venceu concorrência da Eletrobrás para construir a fase 2 da Hidrelétrica de Tucuruí, investiu US$ 40 milhões e ampliou o Shopping Jardim Sul, além de reestruturar o setor financeiro aliando-se ao Banco Santander. Ele ampliou a participação da Camargo Corrêa na Usiminas de 3% para 7%.
Para Tápias, o déficit fiscal é um mal crônico do País. Na cerimônia em que recebeu neste ano o título de administrador emérito do Conselho Regional de Administração de São Paulo, o executivo lembrou que o momento pelo qual passa o Brasil é muito importante. Ele acredita que todo esforço será suportável, desde que esteja a serviço de um projeto que abrevie ao máximo o período de privações. Principalmente, que recoloque, no curto e médio prazos, o País no caminho do crescimento econômico e do desenvolvimento social.
O presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, acha que Alcides Tápias, ‘‘vai entrar pra fazer o que o governo quer’’. ‘‘O outro (Clóvis Carvalho) saiu porque falou a verdade; o governo não iria fazer a burrice de colocar alguém que não fizesse o que ele quer’’, afirmou.
Para o País, Vicentinho acha que ‘‘não muda’’. ‘‘Não mudou quando trocou o ministério; não é trocando um ministro que vai mudar alguma coisa.’’

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