Brasília - O ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais) e o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), contestaram ontem o relatório apresentado no dia anterior pela CPI dos Correios, que sustentou a existência do ''mensalão''. Wagner minimizou o relatório, chamou o suposto esquema de pagamento de propinas a congressistas de um ''episódio isolado'' e disse ter ''orgulho de ser PT''.
''O PT precisa mostrar para a sociedade brasileira que o episódio é muito menor do que tanto se apregoou, das denúncias envolvendo parte da direção do PT, que isso é um episódio isolado, não é a cara, não é a vida, não é a alma do PT e não é a alma deste governo'', afirmou o ministro.
A tese defendida no Palácio do Planalto é a de que houve sim problemas, mas que a reverberação feita pela oposição e pela imprensa superdimensionou os ''erros'' dessa ''parte'' do PT, sem relação direta com o governo, muito menos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
''A conclusão da CPI está chegando e os números que se tentaram alardear o tempo todo a vocês da imprensa não estão se configurando, o PT tem de dizer isso, que uma história de 25 anos não se troca pelo tropeço de alguns'', disse Wagner, principal articulador político do governo. ''Vou dizer o que digo na Bahia: orgulho de ser PT, vergonha do erro daqueles que o cometeram.''
Ao apresentar um balanço sobre os trabalhos da Câmara neste ano, Aldo Rebelo disse que ''caixa dois é crime'', mas que a tese do ''mensalão'' nos moldes detalhados pelo relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), ''não se sustenta''.
''Disse e sustento que não acredito que os parlamentares tenham recebido dinheiro para votar matérias a favor ou contra o governo. Essa convicção tenho até hoje: não houve pagamento para votações'', disse. Segundo ele, as investigações das CPIs provaram até agora apenas a ''transferência de recursos por razões eleitorais''. ''Segundo os dirigentes, o dinheiro serviu para saldar compromissos de campanha, compromissos eleitorais. Acredito na versão, a não ser que haja outra tese. Para votar matérias, creio que não se sustenta'', afirmou.
O presidente da Câmara afirmou que seu descrédito no repasse de recursos a parlamentares em troca de apoio no Congresso se deve ao fato de ele ter sido líder do governo na Câmara e, portanto, ter sido o responsável pela articulação do Palácio do Planalto para aprovar projetos. ''Fui líder do governo durante um ano. O Congresso aprovou matérias polêmicas e difíceis, como a reforma da Previdência e a reforma tributária. Todo mundo sabe que essas matérias só foram aprovadas porque foram apoiadas pela oposição, não foi pela base do governo.''
Aldo também disse hoje discordar da paralisação do Conselho de Ética da Câmara durante o período de convocação, mas afirmou que não pode interferir na decisão. O funcionamento do Conselho de Ética da Câmara foi uma das razões para a convocação extraordinária do Congresso, mas na semana passada seus membros decidiram interromper os trabalhos até 9 de janeiro.
Ele listou três itens prioritários, que segundo ele têm chances reais de votação, que serão colocadas na pauta da Casa durante o período de convocação: a criação do Fundeb (fundo para a educação básica), a Lei Geral das Microempresas e o projeto que prevê a redução do período de recesso parlamentar.

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