Brasília - O ministro Carlos Lupi (Trabalho) defendeu ontem a regulamentação das casas de bingo do País. Depois de receber em seu gabinete trabalhadores de bingos que protestaram na Esplanada dos Ministérios contra o fechamento do setor, Lupi disse que seria ''hipocrisia'' não defender a legalização dos bingos - embora reconheça que essa prerrogativa deve ser do Congresso Nacional. ''Quem tem que legislar é o Legislativo. Mas eu considero que não podemos impedir o direito de 120 mil pessoas trabalharem. Não podemos ter uma sociedade hipócrita'', afirmou.
Lupi disse que, como ministro do Trabalho, não poderia deixar de defender os interesses dos trabalhadores ameaçados de demissão. O ministro admitiu que sua mãe é uma frequentadora de bingos, embora ele próprio disse ''nunca ter entrado'' em estabelecimentos do setor.
A Força Sindical estima que, se os bingos forem proibidos em definitivo, haverá perda de 120 mil empregos diretos e 300 mil indiretos. ''Como vou deixar de dar solidariedade a essas pessoas?'', questionou.
O ministro defendeu que os bingos sejam controlados pela Caixa Econômica Federal, a exemplo do que já ocorre atualmente com as loterias do país. Segundo o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), há setores do governo que defendem que a União faça o controle dos bingos.
Depois de protestar contra o fechamento dos bingos, uma comissão de trabalhadores do setor se reuniu com os ministros Lupi e Nelson Machado (interino da Fazenda) para discutir a regulamentação. O governo vive um impasse: ao mesmo tempo que pretende garantir o emprego de 120 mil funcionários de bingos, quer evitar os crimes praticados nessas instituições.

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