Brasília - Na contramão da maioria dos integrantes do Judiciário, o ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello apóia as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e concorda com a necessidade de instituir um controle externo efetivo sobre o Poder. ''Coloquei-me inteiramente de acordo com as posições dele (de Lula), que são as que expus quando do discurso da minha posse na presidência do Supremo, em 1997'', afirmou ontem.
Celso de Mello também considerou injustificada a reação negativa do Judiciário. ''De modo algum o presidente da República ofendeu a dignidade institucional do Judiciário: apenas refletiu, no seu pronunciamento, a angústia que toma conta de todos os cidadãos, que exigem a instauração de um sistema de fiscalização que abranja todas as instituições de poder'', opinou, ressaltando que essa é a sua posição pessoal, não a do STF. ''Numa República estruturada em bases democráticas, os cidadãos têm o direito de exigir que o Estado seja dirigido por administrados íntegros, por legisladores probos e por juízes incorruptíveis e honestos.''
Para ele, não se pode usar o princípio constitucional da separação dos Poderes para excluir a possibilidade de fiscalização externa. (A.E.)

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